Custo da construção sobe em junho com pressão da mão de obra, aponta FGV

O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) de junho confirmou o que o setor já vinha sinalizando: a maior pressão sobre os custos está vindo da mão de obra. Segundo análise da economista Ana Maria Castelo, da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), os dados refletem tanto a desaceleração da atividade, identificada na sondagem da construção, quanto a redução no ímpeto de contratações no mês.

Apesar disso, o mercado mantém perspectiva positiva para os próximos meses. O otimismo das empresas quanto à demanda futura sugere que o mercado de trabalho continuará aquecido, pressionando ainda mais os custos relacionados à contratação.

“O mercado de trabalho segue aquecido, e isso aumenta o custo da mão de obra. Todas as categorias do INCC apresentaram alta em relação a maio, o que mostra que a inflação do setor tende a permanecer acima da inflação geral”, destaca Ana Maria.

A economista ressalta que o avanço registrado em junho pode ser parcialmente explicado por datas-base de reajustes salariais em regiões com grande concentração de obras. No entanto, o ritmo inflacionário do setor, que já vinha superando os demais índices de preços da economia, deve se manter elevado, refletindo o cenário de escassez de mão de obra qualificada.

“Mesmo que o salto de junho seja pontual, a tendência de alta no setor persiste por conta da dificuldade de contratação, o que gera impacto direto no INCC”, complementa.

Índice acumula alta de 3,46% no semestre e 7,19% em 12 meses
Com o desempenho de junho, o INCC-M acumula elevação de 3,46% no primeiro semestre de 2025, e 7,19% nos últimos 12 meses, confirmando a trajetória de alta sustentada nos custos da construção.

Segundo o boletim divulgado nesta quarta-feira (24) pelo FGV Ibre, a maioria das capitais analisadas apresentou aceleração no ritmo de alta dos custos, com exceção de Salvador e Rio de Janeiro, que registraram relativa estabilidade.

Esse cenário reforça os desafios enfrentados pelas construtoras e incorporadoras, que precisam lidar com custos crescentes, margens pressionadas e complexidade na gestão de recursos humanos. Ao mesmo tempo, a expectativa de retomada da demanda nos próximos meses sinaliza que o setor continuará ativo — e sob pressão.

Fonte: Construa Negócios