A ampliação da política nacional de biocombustíveis vem elevando gradualmente o percentual de biodiesel misturado ao diesel no Brasil — uma mudança com impacto ambiental positivo, já que o biocombustível, produzido a partir de óleos vegetais e gorduras animais, pode diminuir em até 80% as emissões de CO₂ em comparação ao diesel fóssil.
Entretanto, o aumento do teor de biodiesel demanda atenção especial por parte dos produtores rurais, sobretudo para equipamentos mais antigos que não foram projetados para operar com blends elevados. Segundo Jonas Carmo, gerente de Desenvolvimento de Negócios para o Pós-vendas da AGCO América do Sul, quando a mistura supera 10% surgem problemas frequentes que comprometem a operação e a vida útil dos motores. Entre os riscos mais citados estão a formação de borra no sistema, entupimento de filtros e bicos injetores, corrosão em vedações e componentes e possível aumento do consumo de combustível em máquinas com sistemas de injeção sensíveis.
Para mitigar esses riscos, recomenda-se um conjunto de medidas práticas: abastecer apenas em postos confiáveis com combustível que atenda os padrões de qualidade; usar aditivos e bactericidas que previnam a formação de borra, melhorem a lubrificação e preservem a estabilidade do combustível durante o armazenamento; aumentar a frequência de manutenção preventiva, reduzindo intervalos de troca de filtros e revisando sistemas de injeção; manter tanques fixos bem controlados — com uso de bactericida quando necessário — e o tanque do equipamento preferencialmente cheio e aditivado quando o equipamento ficar parado; e monitorar continuamente o desempenho em campo, investigando qualquer perda de potência, dificuldade de partida ou aumento repentino de consumo.
Carmo enfatiza que o biodiesel é uma tendência global com claros benefícios ambientais, mas que sua adoção segura depende de cuidados operacionais diários: “A adoção do biodiesel é um avanço importante, mas a atenção com a manutenção evita custos extras e paradas não planejadas durante a safra.” Para produtores, o desafio é conciliar sustentabilidade com práticas de manutenção e abastecimento que preservem a produtividade das máquinas.