As construtoras paulistas estão sentindo o peso do aumento nos custos das obras em 2025. De janeiro a agosto, o Custo Unitário Básico (CUB) subiu 3,2%, e no acumulado dos últimos 12 meses, a alta chegou a 4,31%, conforme dados divulgados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).
O levantamento avalia três principais componentes da construção civil — materiais, mão de obra e setor administrativo — e todos apresentaram elevação neste ano. Entre eles, os materiais de construção tiveram o menor impacto: o avanço foi de 1,29% nos primeiros oito meses e de 3,53% em 12 meses.
Já o custo com mão de obra acumulou alta de 4,49% em 2025 e 4,8% no comparativo anual, refletindo os reajustes salariais e encargos do setor. O maior aumento, porém, veio do segmento administrativo, que ficou 5,52% mais caro apenas neste ano, ampliando a pressão sobre os orçamentos das construtoras.
Segundo Lucas Muniz, diretor regional do SindusCon-SP em Santos, esse cenário encarece significativamente a operação das empresas, que evitam repassar a alta ao consumidor final. “Se esses valores fossem totalmente repassados, as vendas praticamente parariam, pois o mercado já enfrenta retração causada pela Selic elevada”, afirmou.
Ele explica que o custo do financiamento imobiliário tem afastado potenciais compradores. “Há alguns anos, tínhamos juros entre 6,5% e 8% ao ano. Hoje, estão próximos de 15%, quase o dobro de três ou quatro anos atrás”, destacou Muniz.
Mesmo com a expectativa de redução gradual da taxa básica de juros a partir de 2026, o dirigente não prevê um alívio rápido. “A tendência é de queda, mas nada expressivo. A Selic pode chegar a 12% ou 13% em novembro de 2026, ainda bem distante do ideal, que seria algo entre 5% e 7%”, completou.
O setor segue atento ao comportamento da economia e busca alternativas para manter a competitividade sem comprometer o ritmo de novos lançamentos.