A indústria da construção segue enfrentando desafios estruturais, mas começa a mostrar sinais de recuperação gradual. Segundo a Sondagem Indústria da Construção do 3º trimestre de 2025, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 35% dos empresários ainda apontam as taxas de juros elevadas como o principal obstáculo ao crescimento do setor.
A alta carga tributária aparece logo em seguida, citada por 32,2% dos entrevistados, com avanço de 1,7 ponto percentual no trimestre. Já a escassez e o alto custo da mão de obra, qualificada e não qualificada, completam o grupo de maiores preocupações dos empresários, com 25,8% e 24,5% das menções, respectivamente.
De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o conjunto desses fatores ainda limita a expansão do setor, embora o cenário mostre leve melhora em relação aos meses anteriores. “Os índices seguem baixos frente ao ritmo ideal, mas indicam uma reversão parcial das expectativas negativas”, avalia.
O nível de atividade atingiu 48,4 pontos em setembro, superando a média histórica do mês, mas ainda abaixo do resultado de 2024. A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) subiu dois pontos percentuais, chegando a 68%, e o índice de emprego avançou para 47,1 pontos, o melhor resultado em meses, embora ainda distante dos níveis considerados ideais.
O acesso ao crédito continua restrito, mesmo com a elevação do índice para 38,6 pontos, o que reflete a dificuldade das empresas em financiar novos projetos. Além disso, o preço dos insumos e matérias-primas subiu para 61,6 pontos, sinalizando aceleração no ritmo de alta e impacto direto nas margens de lucro.
Apesar das limitações, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do setor cresceu 1,4 ponto, alcançando 48,4 pontos — a segunda alta consecutiva. O destaque ficou para o índice de expectativas, que ultrapassou a linha dos 50 pontos ao chegar a 50,7, indicando otimismo moderado entre os empresários.
Entre os indicadores de expectativa, o nível de atividade registrou a maior alta (52,4 pontos), seguido pelo índice de compras de matérias-primas (50,9) e novos empreendimentos (50,3). Já o índice de intenção de investimentos subiu para 43,6 pontos, revertendo a tendência de queda observada nos últimos meses.
Mesmo que o setor ainda opere em um ambiente desafiador, o levantamento mostra que a confiança e a atividade começam a reagir, sinalizando um cenário mais favorável para o último trimestre do ano.