O PAINEL 2025 – Pacto pela Infraestrutura Nacional e Eficiência Logística, organizado pelo Instituto Besc, trouxe previsões animadoras para o mercado brasileiro. Entre 2025 e 2029, o país deve receber R$ 372 bilhões em aportes privados na área de infraestrutura, resultado direto da ampliação dos programas de concessões voltados para rodovias, ferrovias e soluções de mobilidade urbana.
A projeção foi apresentada no painel “Visão de Longo Prazo: as Concessões”, conduzido por Marcelo Perrupato (Magna Participações), que reforçou o protagonismo do capital privado no avanço da infraestrutura nacional. Somente o setor rodoviário deverá movimentar R$ 288 bilhões, evidenciando que previsibilidade regulatória e segurança jurídica continuam fundamentais para estimular novos investimentos.
Durante o encontro, Clóvis Magalhães, secretário adjunto de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, revelou o plano estadual de concessão de 1,3 mil quilômetros de rodovias, com recursos estimados em R$ 10 bilhões, além de iniciativas voltadas para novas rotas ferroviárias e melhorias aeroportuárias regionais. Segundo ele, a inclusão do risco climático nos contratos passa a ser indispensável, especialmente após os episódios extremos registrados no Sul do país.
Entre as soluções tecnológicas em destaque, o público conheceu o aeromóvel, sistema de transporte totalmente nacional e sustentável, apresentado por Humberto Neiva, da Aerom Mobilidade Sustentável. O modal já funciona em Porto Alegre e será aplicado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, conectando os terminais à linha de metrô em seis minutos e consumindo 90% menos energia que outros modelos elétricos.
O evento também aprofundou o debate sobre inteligência logística e integração de modais. Everaldo Fiatkoski Júnior, do Porto Seco Centro-Oeste, reforçou a importância da Ferrogrão para o escoamento da produção do Centro-Oeste para o Arco Norte. Já Gabriel Toscano Bandeira, da Infra S.A., apresentou o Plano Nacional de Logística 2050, que prevê a ampliação do uso de ferrovias e hidrovias e a redução do peso do transporte rodoviário, que hoje responde por 63% da matriz logística.
Para os especialistas, o consenso é claro: sem planejamento estratégico, integração multimodal e inovação, o país continuará enfrentando gargalos logísticos que encarecem a operação e reduzem a competitividade internacional.