O custo da construção de uma casa residencial no Ceará registrou uma elevação expressiva entre 2020 e 2025. Dados do Sistema Nacional de Preços e Índices para a Construção Civil (Sinapi), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em novembro, mostram que o valor para erguer um imóvel de padrão normal aumentou cerca de 57% no período.
De acordo com o levantamento, o custo por metro quadrado de um projeto residencial de padrão normal — com um pavimento, varanda, sala, três quartos, banheiro, lavabo, cozinha, área de serviço e dependência completa — passou de R$ 1.180,21, em novembro de 2020, para R$ 1.851,88 em novembro de 2025.
A elevação também foi significativa nos demais padrões. No segmento de padrão alto, o custo do metro quadrado avançou de R$ 1.374,78 para R$ 2.195,50, uma variação de 56,69%. Já no padrão baixo, o valor saiu de R$ 850,16 para R$ 1.294,18, acumulando aumento de 52,2% no mesmo intervalo.
No curto prazo, os dados também apontam continuidade da pressão sobre os custos. Entre setembro e outubro deste ano, o valor médio do metro quadrado da construção no Ceará subiu de R$ 1.771,91 para R$ 1.780,81. Desse total, R$ 1.098,73 correspondem aos materiais de construção e R$ 682,08 à mão de obra.
A variação mensal de 0,5% registrada no Estado superou a média nacional no mesmo período, que foi de 0,27%. Em 2025, o acumulado do ano chegou a 7,04%, enquanto a variação dos últimos 12 meses alcançou 7,15%.
Expansão urbana e demanda explicam avanço
Para o conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, a escalada dos custos está diretamente ligada ao crescimento das cidades e ao aumento no número de empreendimentos imobiliários em polos como Fortaleza e Região Metropolitana, Cariri e Sobral.
Segundo o economista, o desempenho da economia cearense tem superado a média nacional, impulsionando renda, expansão territorial e investimentos públicos e privados. “Esse movimento gera maior consumo de insumos da construção, reformas e novos projetos. O problema é que a oferta não cresce no mesmo ritmo da demanda”, avalia.
Outro fator citado por Coimbra é a criação do Programa Entrada Moradia, iniciativa do governo estadual que complementa o Minha Casa Minha Vida (MCMV). Para ele, o programa ajudou a acelerar o mercado local em relação a outros estados que não adotaram políticas semelhantes.
“O Entrada Moradia estimulou tanto a demanda por imóveis de baixo e médio padrão quanto um crescimento relevante no segmento de alto padrão, reflexo do fortalecimento da atividade econômica no Ceará”, explica.
Setor mais profissionalizado
Apesar do aumento expressivo dos custos, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias de Sousa, avalia o cenário de forma equilibrada. Para ele, os números indicam um setor ativo, com geração de empregos, renda e desenvolvimento econômico.
Na visão do dirigente, a elevação dos custos vem acompanhada de maior profissionalização, planejamento e inovação. “Vejo esse contexto com cautela, mas também com otimismo. As empresas estão mais eficientes, os projetos melhor estruturados e o mercado mais preparado para lidar com novos desafios”, afirma.
Patriolino destaca ainda que o aumento da mão de obra representa valorização do trabalhador e maior qualificação profissional. Já os materiais sofrem influência de fatores como inflação, logística e demanda, mas o setor tem buscado maior previsibilidade e organização das cadeias de suprimento.
Diferença entre os padrões de construção
Segundo o Sinduscon-CE, a distinção entre os padrões baixo, normal e alto está principalmente no nível de acabamento, nos materiais utilizados e na complexidade dos projetos. No padrão baixo, o foco é funcionalidade e custo-benefício, com soluções construtivas mais simples. O padrão normal busca equilíbrio entre conforto, durabilidade e preço, sendo comum entre famílias de classe média. Já o padrão alto envolve projetos personalizados, materiais de maior valor agregado e tecnologias que ampliam conforto e eficiência das edificações.