A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia como um marco relevante a aprovação, pelo bloco europeu, do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, anunciada nesta sexta-feira (9). Segundo a entidade, a decisão representa um avanço concreto na inserção internacional do Brasil e no fortalecimento da indústria nacional, ao abrir caminho para uma integração econômica mais profunda com um dos principais mercados do mundo.
Em negociação há mais de 20 anos, o tratado é considerado o mais moderno e abrangente já firmado pelo Mercosul, com potencial para gerar efeitos econômicos e sociais expressivos. Dados de 2024 indicam que, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia, foram criados 21,8 mil empregos, além da movimentação de R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.
Na avaliação da CNI, a aprovação pelo bloco europeu é decisiva para destravar as próximas fases do processo, que incluem assinatura, internalização, ratificação e implementação do acordo. Essas etapas dependem de diálogo contínuo com parlamentos nacionais e com a sociedade. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento cria as condições políticas necessárias para avançar com mais rapidez. Ele destaca a expectativa de que o processo seja concluído o quanto antes, permitindo transformar o avanço institucional em oportunidades reais de comércio, atração de investimentos e ganhos de competitividade para o país.
A entidade ressalta que os impactos mais significativos do acordo devem ser sentidos no campo dos investimentos bilaterais. A ampliação da previsibilidade regulatória, a redução de barreiras tarifárias e o fortalecimento de regras ligadas à facilitação do comércio e dos investimentos tendem a criar um ambiente mais seguro para empresas dos dois lados.
Esse cenário mais estável favorece a competitividade industrial, estimula o comércio intrafirma, reduz custos operacionais ao longo das cadeias globais de valor e amplia as condições para a internacionalização de empresas brasileiras, além de tornar o país mais atrativo ao investimento estrangeiro direto. Para a CNI, o acordo se consolida como um ponto central da estratégia brasileira de inserção internacional, com impacto direto no redesenho dos fluxos globais de comércio e investimentos.
Mesmo antes de entrar em vigor, o comércio bilateral já evidencia a relevância da parceria entre Brasil e União Europeia. Em 2024, o bloco europeu foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total vendido ao exterior, mantendo-se como o segundo principal mercado do país. No mesmo período, a UE respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, ou 17,9% do total, reforçando seu papel estratégico no fornecimento de insumos, tecnologias e bens industriais.
Ampliação de oportunidades em mercados ainda pouco explorados
Além do acesso ampliado ao mercado europeu tradicional, a CNI chama atenção para o potencial de fortalecimento das relações comerciais e produtivas com países do Leste Europeu, como Polônia, República Tcheca e Romênia. Esses mercados ainda apresentam fluxos comerciais reduzidos com o Brasil, mas oferecem espaço relevante para expansão, especialmente em segmentos ligados à indústria, tecnologia e consumo interno.
O acordo também contempla o reconhecimento mútuo de indicações geográficas, o que garante proteção a produtos regionais brasileiros com selo de origem e amplia as oportunidades para marcas nacionais no mercado europeu. Itens como café e queijos tendem a ganhar maior valorização e competitividade nesse contexto.
Sustentabilidade e inovação como vetores de competitividade
Para o Brasil, o tratado representa ainda uma oportunidade estratégica de ampliar exportações e aprofundar a cooperação técnica em tecnologias de baixo carbono. Esses avanços são considerados essenciais para a sustentabilidade dos processos produtivos, para a transição energética e para a digitalização da agroindústria.
O alinhamento aos padrões ambientais e sociais exigidos pela União Europeia contribui para reduzir possíveis barreiras ao acesso de produtos brasileiros, ao mesmo tempo em que fortalece a agenda nacional de inovação tecnológica e de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.