Investimentos em construtechs encolhem, mas setor entra em fase estratégica de consolidação

A comparação entre os investimentos realizados em 2022 e os números registrados no ano passado evidencia um novo momento para as construtechs — startups de base tecnológica voltadas ao setor da construção civil. Após um período de forte expansão, o mercado atravessa agora uma fase de maturação, marcada por maior cautela dos investidores e decisões mais estratégicas.

Em 2022, os aportes destinados a esse ecossistema somaram R$ 621 milhões. Já em 2025, o cenário foi bem mais contido: apenas três acordos fechados, totalizando R$ 16 milhões. Apesar da retração, o movimento não indica estagnação, mas sim uma reorganização natural do setor.

Para Daniel Grossi, cofundador da Liga Ventures, o atual contexto reflete um mercado mais prudente tanto em investimentos quanto na adoção de inteligência artificial, porém alinhado a um processo inevitável de modernização. Segundo ele, a construção civil passa por um ciclo contínuo de transformação, impulsionado por industrialização, digitalização e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade.

A análise faz parte de um raio-x completo realizado pela consultech, que mapeou o ecossistema nacional de construtechs. O estudo identificou 267 startups ativas, que utilizam diferentes soluções tecnológicas para transformar a cadeia da construção. Desse total, 20% foram fundadas entre 2020 e novembro de 2025, demonstrando que o setor segue atraindo novos empreendedores.

Entre as principais frentes de atuação dessas startups estão cotação e compra de insumos, que concentram 16% das empresas, construção modular, com 12%, gestão e controle de obras, com 8%, além de realidade virtual e interatividade, também com 8%. Conteúdo e educação aparecem na sequência, representando 6% do total. Ao todo, as construtechs mapeadas estão distribuídas em 24 categorias distintas, com forte predominância do modelo B2B, que responde por 81% das soluções.

O levantamento também destaca o avanço, ainda que gradual, da inteligência artificial no setor. Atualmente, 29 startups utilizam IA em aplicações como automação de projetos de arquitetura e engenharia, gestão inteligente de obras e canteiros, monitoramento com visão computacional, gêmeos digitais e outras funcionalidades voltadas à eficiência operacional.

Em relação ao grau de maturidade, o estudo aponta que 37% das construtechs estão em estágio estável, enquanto 30% são consideradas emergentes. Outras 22% ainda são nascentes e 11% se enquadram como disruptoras, com propostas mais inovadoras e potencial de impacto mais amplo no mercado.

Grossi avalia que o ritmo mais lento de inovação cria um ambiente propício para empresas dispostas a liderar essa nova fase. Embora os desafios sejam significativos, as oportunidades acompanham a mesma proporção. Startups que consigam resolver problemas reais da construção civil — como ganho de eficiência nas obras, maior previsibilidade de custos e redução de desperdícios — tendem a se destacar e ocupar espaços relevantes nesse cenário de transformação.

Fonte: Construa Negócios