Preços ao produtor seguem em queda e indústria acumula dez meses consecutivos de recuo

Os preços da indústria nacional voltaram a recuar em novembro, com queda de 0,37% em relação a outubro, após variação negativa de 0,47% no mês anterior. O resultado foi influenciado principalmente pelas indústrias extrativas, que apresentaram retração expressiva de 3,43%. Esse movimento marca a décima taxa negativa consecutiva do índice, depois de uma sequência de 12 resultados positivos observados entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025.

Os dados fazem parte do Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação, divulgado nesta segunda-feira (16) pelo IBGE. O indicador mede a variação dos preços “na porta de fábrica”, sem a incidência de impostos ou custos de frete, e contempla as principais categorias econômicas da indústria brasileira.

No acumulado do ano, o IPP registra queda de 4,66%, enquanto, no horizonte de 12 meses, o recuo chega a 3,38%. Para efeito de comparação, em novembro de 2024 o índice havia apresentado alta mensal de 1,25%, evidenciando a reversão do ciclo de preços ao longo de 2025.

Entre as 24 atividades industriais analisadas, 12 registraram redução de preços em novembro frente ao mês imediatamente anterior. Em outubro, esse número havia sido de 11 atividades. As variações mais intensas foram observadas nos segmentos de impressão (-3,88%), indústrias extrativas (-3,43%), outros produtos químicos (-1,52%) e papel e celulose (-1,35%).

Segundo Alexandre Brandão, gerente de análise e metodologia do IBGE, o desempenho das indústrias extrativas teve peso decisivo no resultado mensal e reflete, sobretudo, o cenário internacional. De acordo com ele, os preços dos produtos ligados à extração de petróleo, gás natural e minerais ferrosos acompanharam o movimento global de queda observado no período. Em sentido oposto, houve elevação nos preços de minérios de cobre e seus concentrados, comportamento associado à valorização do cobre na Bolsa de Londres.

No caso específico do minério de ferro e seus concentrados, exceto pelotizado e sinterizado — item com maior influência negativa no índice —, Brandão explica que a retração está alinhada a um aumento da oferta global em um contexto de demanda enfraquecida, especialmente por parte da China, principal consumidor mundial.

A permanência dos preços industriais em terreno negativo por dez meses consecutivos também está relacionada a fatores estruturais de alguns setores. O segmento de alimentos, por exemplo, exerce o maior impacto nos indicadores de médio e longo prazo. No acumulado do ano, a atividade responde por -2,55 pontos percentuais do resultado total de -4,66%. Já no acumulado em 12 meses, a influência é de -2,16 pontos percentuais em um recuo de 3,38%.

Dentro do setor de alimentos, os principais responsáveis pela queda são dois tipos de açúcar, o arroz e os resíduos da soja. Esses produtos, no acumulado do ano, respondem por -7,94 pontos percentuais em uma variação de -9,91%, enquanto, em 12 meses, representam -7,89 pontos percentuais de um total de -8,42%.

De acordo com Alexandre Brandão, o comportamento do açúcar reflete um cenário de oferta global elevada em 2025, com destaque para o desempenho das exportações brasileiras. A soja segue lógica semelhante, influenciada por uma demanda menor da China. No caso do arroz, a ampliação da oferta interna, favorecida pela ausência de problemas climáticos relevantes — como os registrados em anos anteriores —, contribuiu para a queda dos preços.

Além das dinâmicas específicas de cada mercado, o comportamento do câmbio também teve papel importante ao longo do período. A apreciação do real frente ao dólar reduziu pressões de custo em diversas atividades industriais. No acumulado do ano, a valorização da moeda brasileira foi de 12,4%, enquanto, no intervalo entre novembro de 2024 e novembro de 2025, o ganho chegou a 8,0%.

Sob a ótica das grandes categorias econômicas, novembro apresentou variação de -0,01% em bens de capital, queda de 0,75% em bens intermediários e leve alta de 0,09% em bens de consumo. Dentro desse último grupo, os bens de consumo duráveis avançaram 0,30%, enquanto os bens semiduráveis e não duráveis registraram variação de 0,04%.

A principal influência negativa no índice geral veio dos bens intermediários, que possuem peso de 53,54% na composição do IPP e responderam por -0,40 ponto percentual da variação total de -0,37% nas indústrias extrativas e de transformação. Os bens de consumo contribuíram com influência positiva de 0,03 ponto percentual, enquanto os bens de capital tiveram impacto praticamente neutro, de 0,00 ponto percentual.

Fonte: Construa Negócios