O encerramento de 2025 foi marcado por uma perda de ritmo no chão de fábrica nacional. Dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a produção industrial encerrou o ano com um avanço acumulado de apenas 0,6%. Embora represente o terceiro ano consecutivo de alta — sucedendo os crescimentos de 3,1% em 2024 e 0,1% em 2023 — o resultado confirma uma desaceleração significativa da atividade.
O desempenho anual foi severamente impactado pela reta final do ano. Na passagem de novembro para dezembro, a indústria encolheu 1,2%, registrando a queda mais intensa desde julho de 2024. O gráfico da produção física confirma a tendência negativa que predominou a partir de setembro, culminando no tombo observado no último mês do calendário.
Juros travam investimentos
Segundo a análise do IBGE, o ano foi dividido em dois momentos distintos: um primeiro semestre com expansão de 1,2% e uma segunda metade estagnada, com variação nula. André Macedo, gerente da pesquisa, aponta a política monetária restritiva como fator determinante para esse freio. O aumento nas taxas de juros afetou diretamente tanto as decisões de investimento corporativo quanto o consumo das famílias, reduzindo o dinamismo do setor.
No balanço geral, a indústria de transformação — que converte matérias-primas em produtos finais — fechou 2025 no vermelho, com queda de 0,2%. O resultado positivo do índice geral foi garantido pelas indústrias extrativas, impulsionadas pelo petróleo, que cresceram 4,9% no acumulado do ano. O setor de produtos alimentícios também contribuiu positivamente, com alta de 1,5%.
Dezembro no vermelho
O cenário de dezembro foi de perdas generalizadas. De acordo com o levantamento, 17 dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram recuo na produção, o maior índice de disseminação de resultados negativos desde setembro de 2022.
As quedas mais expressivas no mês foram lideradas por:
- Veículos automotores, reboques e carrocerias: Recuo de 8,7%, a maior baixa desde maio de 2024.
- Produtos químicos: Queda de 6,2%.
- Metalurgia: Retração de 5,4%.
André Macedo explica que o resultado de dezembro também foi influenciado por um maior número de férias coletivas e paralisações, especialmente nas montadoras e nos setores de eletrônicos e metalurgia. Em contrapartida, o setor de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis foi a exceção positiva no mês, avançando 5,4%.
Distância do pico histórico
Apesar do crescimento anual, a indústria brasileira ainda opera com ociosidade elevada em comparação aos seus melhores momentos. O patamar atual encontra-se 0,6% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas permanece 16,3% abaixo do recorde histórico da série, alcançado em maio de 2011.