Abimaq projeta alta de 3,4% para máquinas agrícolas em 2026, com ritmo menor que 2025

O setor de máquinas e equipamentos agrícolas deve vivenciar um ano de crescimento moderado em 2026. A estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) aponta para uma alta de 3,4% nas vendas, indicando uma desaceleração em relação ao desempenho observado em 2025, quando o avanço beirou os 8%.

Durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel, Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da entidade, detalhou que o recuo no ritmo de expansão é um efeito estatístico da base de comparação. Segundo o dirigente, o crescimento expressivo de 2025 ocorreu sobre um ano de 2024 muito fraco, marcado por seca e quebra de safra. Agora, em 2026, o comparativo se dá sobre um período de recuperação, o que naturalmente achata os índices percentuais.

Ociosidade e faturamento

Mesmo com os números positivos, a indústria ainda opera com capacidade ociosa e rentabilidade comprimida. Estevão classifica o momento atual como de desempenho “médio para baixo”. O faturamento de R$ 67 bilhões registrado no ano passado, embora represente uma melhora, permanece distante do patamar de R$ 97 bilhões a R$ 99 bilhões alcançado no biênio 2021-2022.

O cenário para 2026 não prevê vetores de mudança brusca, como quedas significativas nos juros ou explosão nos preços das commodities. A dependência da soja e do milho, que respondem por 60% das vendas de maquinário, é um fator limitante, visto que essas culturas enfrentam cotações internacionais pressionadas pelo excesso de oferta global.

Destaques setoriais

Enquanto os grãos principais andam de lado, outros nichos apresentam dinâmicas distintas:

  • Agricultura familiar: Segue aquecida, sustentada pelo crédito rural com juros subsidiados de 5,5% ao ano.
  • Café e Pecuária: Atravessam um bom momento de mercado.
  • Laranja: Apesar de ser um mercado menor, registra desempenho positivo.
  • Cana-de-açúcar e Hortaliças: Mantêm-se com desempenho mediano e estável, respectivamente.

Mercado externo

As exportações, que correspondem a 10% do faturamento da indústria, mostraram vigor em 2025 com um crescimento de 12%. O resultado foi impulsionado pela retomada econômica da Argentina e pela demanda de outros vizinhos sul-americanos, como Paraguai, Bolívia e Peru, além do México.

Quanto ao acordo entre Mercosul e União Europeia, a Abimaq adota cautela. A avaliação é de que o tratado não trará impactos de curto prazo, devido aos trâmites legais pendentes e à previsão de uma desgravação tarifária lenta para máquinas agrícolas, que pode levar até 15 anos para se concretizar.

Fonte: Construa Negócios