Construir no Ceará ficou mais caro na abertura de 2026. Dados do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgados nesta terça-feira, 10 de fevereiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o custo do setor no estado registrou alta de 1,49% em janeiro. O avanço é significativo quando comparado a dezembro do ano passado, quando a variação havia sido de apenas 0,12% — uma diferença de 1,37 ponto percentual.
Com esse reajuste, o preço médio do metro quadrado no estado passou de R$ 1.789,14 para R$ 1.815,87. A composição desse valor mostra o peso dos insumos e da força de trabalho: R$ 1.104,33 correspondem aos materiais, enquanto R$ 711,54 referem-se aos custos com mão de obra. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação do setor no Ceará atingiu 7,64%, superando os 7,54% observados no ciclo imediatamente anterior.
Impacto da mão de obra e impostos
O cenário de alta não é exclusivo do Ceará. No âmbito nacional, o Sinapi avançou 1,54%, atingindo o maior patamar desde junho de 2022. O custo médio brasileiro fechou o mês em R$ 1.920,74 por metro quadrado.
A pressão inflacionária veio, sobretudo, da mão de obra. Enquanto o custo dos materiais variou apenas 0,27% no país, as despesas com trabalhadores dispararam 3,22%. Augusto Oliveira, gerente da pesquisa do IBGE, atribui esse salto a dois fatores principais: a reoneração da folha de pagamentos e o aumento do salário-mínimo.
“Esse reajuste está segundo a legislação, que fixa uma alíquota de 10% sobre a folha de pagamento em 2026”, esclarece Oliveira. Além da questão tributária, o pesquisador aponta que a adequação ao novo piso nacional impactou especialmente a categoria dos serventes de obra em 11 unidades da federação.
Nordeste lidera encarecimento
Na análise regional, o Nordeste apresentou a maior elevação de custos do país, com taxa média de 1,85% e altas registradas em todos os nove estados. O índice superou as variações do Centro-Oeste (1,67%), Sudeste (1,39%), Sul (1,35%) e Norte (1,33%).
O destaque nacional de encarecimento foi o Piauí. O estado registrou um aumento expressivo de 4,12% em apenas um mês, movimento justificado pela combinação entre o aumento no custo dos materiais e o reajuste decorrente de acordos coletivos das categorias profissionais locais.