A Deere & Company encerrou o primeiro trimestre do ano fiscal de 2026 com um cenário financeiro misto. Até o dia 1º de fevereiro, a fabricante de máquinas agrícolas somou uma receita global e vendas líquidas de US$ 9,611 bilhões, o que representa um avanço de 13% frente ao mesmo intervalo do ano anterior. Analisando isoladamente as vendas líquidas, a alta foi de 17,5%, saltando de US$ 6,809 bilhões em 2025 para US$ 8,001 bilhões.
Apesar do volume maior de negócios, a lucratividade da companhia encolheu. O lucro líquido norte-americano recuou 24,5% no período, fechando em US$ 656 milhões, o equivalente a US$ 2,42 por ação. No primeiro trimestre fiscal de 2025, a empresa havia reportado ganhos de US$ 869 milhões (US$ 3,19 por papel).
O segmento voltado à agricultura de pequeno porte foi o grande destaque positivo do balanço. As comercializações líquidas dessa divisão cresceram 24%, atingindo US$ 2,168 bilhões, contra os US$ 1,748 bilhão registrados anteriormente. Como reflexo, o lucro operacional disparou 58%, passando de US$ 124 milhões para US$ 196 milhões. A empresa atribui esse desempenho ao aumento dos volumes embarcados, repasse de preços e câmbio favorável, fatores que compensaram o peso de tarifas mais altas.
Em contrapartida, as soluções de agricultura de precisão e o maquinário de grande porte enfrentaram forte pressão nos custos. Embora as vendas tenham subido 3% (chegando a US$ 3,163 bilhões ante os US$ 3,067 bilhões do ano passado, ajudadas pelo câmbio), o lucro operacional da categoria despencou 59%. O montante caiu de US$ 338 milhões para US$ 139 milhões, impactado pelo aumento de tarifas e por maiores despesas associadas a garantias.
Diante desses números, a gestão aposta na renovação do portfólio. Segundo John May, CEO e presidente do conselho da Deere, todas as divisões da marca receberão lançamentos de produtos ao longo deste ano. O executivo destacou em nota que a corporação está motivada pela retomada contínua da demanda nas áreas de construção e de maquinário agrícola de menor porte.
Pensando no acumulado do ano fiscal de 2026, a gigante norte-americana ajustou suas expectativas globais. Para a América do Sul, a previsão agora aponta para um recuo de 5% nas entregas de colheitadeiras e tratores, contrariando a estimativa de estabilidade que havia sido divulgada em novembro de 2025.
Nos mercados do Canadá e Estados Unidos, espera-se uma redução entre 15% e 20% para os equipamentos pesados, enquanto o setor de gramados e agricultura de pequeno porte deve oscilar entre estabilidade e uma leve alta de 5%.
Por fim, a Deere & Company projeta que seu lucro líquido total para 2026 ficará na faixa de US$ 4,5 bilhões a US$ 5 bilhões. Caso confirmada, a cifra representará um cenário de manutenção ou uma retração de até 10% em comparação com os US$ 5,027 bilhões consolidados ao fim do ano fiscal de 2025.