As vendas de materiais de construção no Brasil registraram alta de 1,6% em março na comparação com o mesmo mês de 2025, interrompendo uma sequência de nove meses consecutivos de retração. Na comparação com fevereiro, o avanço foi de 3,1%. Os dados deflacionados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).
O resultado positivo foi impulsionado principalmente pelo desempenho dos materiais básicos, cujas vendas cresceram 2,5% na comparação anual. Os materiais de acabamento, por sua vez, tiveram avanço mais tímido, de apenas 0,2%.
Retração acumulada ainda pesa
Apesar da melhora pontual em março, o setor ainda acumula retração de 3,3% no período de 12 meses encerrado no mês. Segundo a Abramat, o resultado reflete uma recomposição parcial da atividade, sem que se possa caracterizar, por enquanto, uma tendência consolidada de crescimento.
Cenário externo gera cautela
“O resultado de março mostra uma recuperação pontual, após uma sequência de quedas, mas ainda não reflete os desdobramentos do cenário internacional. A escalada do conflito no Oriente Médio tende a pressionar custos de insumos relevantes, como aço e cimento, o que pode impactar a atividade da construção e o desempenho da indústria nas próximas leituras”, afirmou Paulo Engler, presidente da Abramat.
Segundo o executivo, o contexto geopolítico também pode contribuir para a manutenção de juros elevados por mais tempo, afetando o crédito e a dinâmica do setor. “Por isso, seguimos com uma visão de cautela, apesar da projeção de crescimento moderado para o ano”, complementou.
Projeção de crescimento mantida
Por ora, a Abramat mantém a estimativa de crescimento de 1,9% no faturamento para 2026, sustentada pela expectativa de redução gradual das taxas de juros e pela continuidade de programas habitacionais do governo federal.