Emprego na construção civil cresce, mas alta de custos pressiona o setor

As rodovias e o saneamento básico lideram a agenda de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões nos estados brasileiros, concentrando juntos mais de 75% dos investimentos realizados no ciclo iniciado em 2023. É o que aponta um estudo inédito da Radar PPP, que mapeou o desempenho dos entes estaduais até o primeiro trimestre de 2026.

De acordo com o levantamento, os governos estaduais investiram R$ 160 bilhões no período, cifra que representa um crescimento de 28,7% em comparação ao ciclo anterior, entre 2019 e 2022, quando os aportes somaram R$ 124,7 bilhões.

Rodovias atingem desempenho histórico

O segmento rodoviário respondeu por 46,5% do volume total de investimentos, alcançando o melhor resultado da sua história. O avanço foi impulsionado por novas concessões e pela adoção de modelos operacionais mais modernos, que atraíram interesse crescente da iniciativa privada.

Logo atrás, o saneamento básico absorveu 28,5% dos recursos, mantendo trajetória ascendente após a aprovação do Marco Legal do Saneamento. As concessões estaduais na área seguem movimentando o setor com projetos de grande porte em diferentes regiões do país.

Mais de mil iniciativas mapeadas nos estados

O número de iniciativas identificadas nos estados e no Distrito Federal chegou a 1.151 durante o período analisado. Em paralelo, os contratos assinados registraram salto expressivo de 177%, passando de 105 em 2018 para 291 até março deste ano.

“Ao fim de 2022 já havia sido registrado um crescimento relevante na comparação com o ciclo 2015–2018, tanto em termos de volume de iniciativas quanto na diversificação setorial e no avanço de projetos até etapas mais maduras”, destaca a entidade responsável pelo estudo.

Segundo a Radar PPP, os dados mais recentes confirmam a continuidade — e, em alguns casos, a intensificação — desse movimento, com os estados desenvolvendo carteiras de investimentos mais robustas e assumindo papel central na promoção da infraestrutura junto aos municípios.

Infraestrutura social desponta como nova fronteira

Além dos segmentos consolidados, as áreas de saúde, educação, habitação e sistema prisional aparecem com forte potencial de expansão. Entre os exemplos em andamento estão a PPP das unidades educacionais na rede pública de Minas Gerais, as PPPs de hospitais regionais no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso do Sul, e o projeto de escolas de tempo integral no Paraná.

No total, 62 projetos atingiram o estágio de consulta pública desde 2023, com destaque para os segmentos de cultura, lazer e comércio (10 iniciativas), mobilidade (10) e meio ambiente (8). Outros 49 projetos iniciados antes de 2023 também permanecem sob consulta.

Licitações estaduais mantêm ritmo acelerado

As licitações também ganharam fôlego no período, somando 105 certames desde 2023, numa média de três por mês. Destes, 46 foram iniciados após o começo do ciclo, o que significa que 18% das novas iniciativas já alcançaram a fase final de contratação. A Radar PPP projeta aumento de 38% a 40% nesse indicador.

Entre os projetos de maior destaque estão a PPP do novo Centro Administrativo do governo de São Paulo, vencida pelo consórcio MEZ-RZK, a concessão do Cais Mauá em Porto Alegre e as concessões dos serviços de água e esgoto no Pará.

Contratos bilionários consolidam o ciclo

No que diz respeito a novos contratos assinados no período 2023-2026, os segmentos de rodovias (18 contratos), cultura, lazer e comércio (11) e água e esgoto (9) puxam o ranking.

Entre os projetos firmados com maior volume financeiro estão a concessão dos serviços de água e esgoto de 74 municípios em Sergipe, arrematada pela Iguá Saneamento com investimentos de R$ 6,3 bilhões, e o túnel imerso Santos-Guarujá, cujo leilão foi vencido pelo grupo Mota-Engil, com aporte estimado em R$ 6,8 bilhões.

O estudo reforça que os governos estaduais têm dado continuidade às concessões e PPPs mesmo durante transições de governo, consolidando a parceria público-privada como instrumento estratégico para o avanço da infraestrutura no país.

Fonte: Construa Negócios