O mais recente relatório da Yellow Table, estudo anual que consolida a classificação das 50 maiores fabricantes de equipamentos originais (OEMs) em âmbito global, mostrou que o faturamento da indústria atingiu um recorde impressionante de US$ 246,6 bilhões no decorrer do último ano.
Esse montante significa um avanço de 3,8% na comparação com o ano antecedente e consagra a terceira ocasião, num intervalo de cinco anos, em que o setor de maquinários conquista o topo histórico em volume de vendas.
A força desse mercado ganha ainda mais notoriedade em face aos severos desafios observados recentemente no cenário global. Conflitos geopolíticos, instabilidades políticas, escassez de profissionais qualificados e profundas interrupções nas cadeias de suprimento não foram suficientes para frear a expansão.
O que sustenta tamanha resiliência é o caráter indispensável da indústria da construção. A contínua necessidade de ampliar e dar manutenção a estradas, de erguer novos complexos de transportes e de fornecer infraestrutura básica para uma população mundial que não para de crescer, garantiu uma demanda consistente.
Desempenho regional e o cenário asiático
Segundo o estudo realizado pela Off-Highway Research, o volume total de vendas de máquinas ao redor do globo expandiu cerca de 2% ao longo de 2025. Esse crescimento foi guiado principalmente pela China e pelas nações emergentes, contrastando com o mercado norte-americano, que sofreu um leve recuo após um período de alta, e a estabilidade verificada no mercado europeu.
Os Estados Unidos, Japão e China, frequentemente chamados de “três grandes” da indústria, permanecem absolutos, aglomerando mais de 66% de todo o faturamento da Yellow Table. As corporações baseadas na Ásia continuam na dianteira, englobando agora 45% do montante total de receitas, frente aos 44,3% apurados na edição prévia.
O mercado europeu registrou 28% de participação, uma variação bastante sutil em relação aos 27,9% do ano anterior. Já a América do Norte sofreu um leve declínio, registrando 27% contra 27,5% da pesquisa passada.
Destaques e movimentações de mercado
A norte-americana Caterpillar continua liderando a lista, sustentando um patamar de vendas semelhante a 2024, enquanto a japonesa Komatsu mantém firme sua segunda colocação. O grande marco deste levantamento foi o desempenho da fabricante chinesa XCMG, que conquistou a terceira posição, sendo este o melhor resultado já obtido por uma companhia da China desde o início da Yellow Table.
Esse salto atesta as estratégias bem-sucedidas das indústrias chinesas em fincar raízes no mercado internacional, de onde grande parte delas já extrai mais de 50% de seus rendimentos totais.
Outro acontecimento de relevo foi a reestruturação que uniu as marcas Hyundai e Develon sob a bandeira da HD Construction Equipment, conglomerado ligado ao grupo HD Hyundai, e que agora desponta na 15ª posição. A fabricante Sinoboom também se destacou positivamente, alcançando a 44ª colocação após aparecer pela primeira vez na lista em 2024.
Em contrapartida, a maior retração observada foi da Kobelco, afetada de maneira direta pela crise vivenciada no mercado interno de seu país. No Japão, o setor da construção civil recuou 12% em 2025, impactado duramente pelo encarecimento dos insumos, baixa disponibilidade de força de trabalho e cortes de investimentos na área pública.
Perspectivas para 2026
Mesmo com as tensões geopolíticas no horizonte e as contínuas dificuldades enfrentadas no transporte marítimo – como os gargalos e impasses em rotas importantes para circulação de commodities – o mercado mantém expectativas de solidez. Para 2026, a Off-Highway Research antecipa um crescimento modesto no volume global de vendas de equipamentos.
O relatório conclui que, a despeito de não haver certezas em relação a novos recordes sucessivos, o segmento consolidou-se em um patamar sustentável, ostentando um grau histórico de saúde operacional e vendas consistentes.