A construção civil brasileira segue como protagonista na geração de emprego formal. Os números referentes a março revelam a abertura de 38.316 novas vagas no setor, o que corresponde a um crescimento de 1,27% no contingente de trabalhadores em relação ao mês anterior. Com esse resultado, o total de profissionais com carteira assinada na atividade alcançou 3,063 milhões em todo o território nacional.
Trimestre com saldo robusto
Nos três primeiros meses do ano, a construção acumulou a criação de 120.547 postos formais de trabalho, representando um avanço de 4,10% no período. Quando se observa o recorte de 12 meses, o saldo positivo soma 104.839 empregos, equivalente a uma expansão de 3,54%.
Os dados têm como base o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. No balanço geral da economia brasileira, março registrou a abertura de 228.208 vagas considerando todas as atividades produtivas.
Recuperação das demissões de fim de ano
Na visão de Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, o volume de contratações no primeiro trimestre foi suficiente para repor cerca de 90% das vagas encerradas no último trimestre de 2025. Apesar do desempenho positivo, o dirigente projeta desaceleração nos meses seguintes.
“É provável que a velocidade de novas contratações diminua consideravelmente adiante, em decorrência da elevação do custo construtivo provocada por reajustes excessivos nos preços cobrados por fornecedores”, avaliou Estefan. Ele também destacou que uma eventual redução da jornada de trabalho poderia elevar os custos em mais de 20%, trazendo prejuízos tanto para construtoras quanto para consumidores.
Segundo o presidente do SindusCon-SP, esse conjunto de fatores tende a provocar atrasos em obras em andamento e revisão da viabilidade de futuros lançamentos, com impacto direto sobre o nível de emprego.
Construção como segundo maior empregador
Em março, a construção foi a segunda atividade econômica que mais gerou vagas, ficando atrás apenas do setor de serviços, que contabilizou 152.391 novas posições. Na sequência aparecem a indústria de transformação, com 28.336 empregos, e o comércio, com 27.267. A agropecuária, por sua vez, fechou 18.096 postos no período.
Já nas atividades imobiliárias vinculadas ao segmento de serviços — que inclui incorporação imobiliária — foram criadas 1.168 vagas em março, alta de 0,56%. No trimestre, o saldo chegou a 2.283 empregos (+1,10%), e em 12 meses, a 6.920 posições (+0,64%).
Distribuição regional
São Paulo liderou a geração de empregos na construção em março, com 9.595 vagas. Minas Gerais aparece em seguida, com 4.176 novos postos, acompanhado pelo Rio de Janeiro (4.093), Bahia (2.831), Santa Catarina (2.769), Pernambuco (2.489), Paraná (1.591), Goiás (1.556), Mato Grosso (1.119) e Alagoas (1.044).