Enquanto a União Europeia registra emissões incorporadas entre 0,43 e 0,82 tonelada de carbono equivalente por metro quadrado em suas edificações, o Brasil alcança a marca de 0,23 tCO₂e/m² — menos da metade do piso europeu. O dado, divulgado pela plataforma CECarbon do SindusCon-SP durante o evento Construir com Impacto Positivo, realizado na sede da Fiesp, coloca o setor construtivo nacional em posição de destaque na agenda global de descarbonização.
O que os números revelam sobre cada tipo de obra
A análise dos indicadores permite identificar como diferentes tipologias de empreendimentos contribuem para a pegada de carbono do setor. Habitações de Interesse Social (HIS) apresentam o menor índice, com 0,21 tCO₂e/m², seguidas pelos projetos de padrão médio, com 0,22 tCO₂e/m². Já os empreendimentos de alto padrão chegam a 0,27 tCO₂e/m², reflexo do maior volume de acabamentos e sistemas incorporados.
Imóveis comerciais e de uso misto registraram 0,23 tCO₂e/m², enquanto os residenciais ficaram em 0,22 tCO₂e/m². Os dados evidenciam que a complexidade construtiva e o nível de acabamento influenciam diretamente as emissões associadas.
Parede de concreto se destaca como sistema menos poluente
A tecnologia construtiva empregada faz diferença mensurável nos resultados ambientais. O sistema de parede de concreto registrou a menor intensidade média de emissões — 0,19 tCO₂e/m² —, superando a alvenaria estrutural (0,21 tCO₂e/m²) e a alvenaria com estrutura convencional (0,26 tCO₂e/m²). A diferença de quase 37% entre o melhor e o pior desempenho reforça a importância das escolhas projetuais na mitigação de impactos.
Consumo de energia incorporada segue padrão competitivo
Além das emissões de gases de efeito estufa, a CECarbon mede a energia embutida nos materiais e processos construtivos. O indicador médio brasileiro ficou em 2,39 gigajoules por metro quadrado (GJ/m²), com variações entre tipologias: HIS registra 2,26 GJ/m², padrão médio atinge 2,27 GJ/m² e alto padrão chega a 2,72 GJ/m².
Na comparação entre sistemas construtivos, a parede de concreto novamente se sobressai, com média de 2,05 GJ/m², contra 2,19 GJ/m² da alvenaria estrutural e 2,71 GJ/m² da alvenaria com estrutura convencional.
Novas ferramentas ampliam o escopo da sustentabilidade
Além dos indicadores de carbono, o SindusCon-SP apresentou no mesmo evento duas novidades. A Plataforma Construção Sustentável reúne, em ambiente digital único, ferramentas de gestão ambiental voltadas a emissões, eficiência energética e uso da água nos canteiros.
A segunda novidade é a CEHídrica, calculadora desenvolvida para avaliar consumo e impacto hídrico das edificações ao longo de todo o ciclo de vida. Segundo Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comasp, as ferramentas permitem que construtoras de diferentes portes participem ativamente da agenda de sustentabilidade sem custos adicionais — fator decisivo para a adesão em larga escala.
Para Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, os resultados consolidam práticas mais eficientes e demonstram que o setor brasileiro avança na comparação internacional. Francisco Vasconcellos Neto, vice-presidente de Meio Ambiente da entidade, acrescenta que esses indicadores ganham relevância crescente para a competitividade das empresas, acesso a financiamentos verdes e certificações de edificações sustentáveis.
A Plataforma Construção Sustentável está disponível em construcaosustentavel.com.br.