Juros e insumos apertam a agenda da construção

A construção civil chega a 2026 sustentando uma sequência positiva de crescimento, mas com um ponto de atenção que atravessa incorporadoras, construtoras e fornecedores: o custo de produzir continua pressionado.

Na avaliação apresentada por Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor mantém relevância na economia, porém precisa lidar com juros elevados, insumos mais caros e incerteza na tomada de decisão.

Crédito caro reduz previsibilidade

O encarecimento do crédito aparece como um dos principais fatores de cautela para novos projetos. Taxas mais altas afetam o financiamento, reduzem o apetite para investimento e alongam o tempo de maturação de obras que dependem de planejamento financeiro estável.

Para a entidade, a construção só consegue transformar demanda em obra quando existe previsibilidade. Sem esse horizonte, parte dos investimentos tende a ser adiada, mesmo em um ambiente de atividade ainda aquecida.

Emprego mostra força do setor

Apesar dos obstáculos, a construção permanece entre os segmentos mais importantes para o mercado de trabalho formal. Segundo a CBIC, a atividade respondeu por cerca de 20% dos novos postos com carteira assinada no país e emprega mais de 3 milhões de pessoas.

Esse peso ajuda a explicar por que a evolução dos custos preocupa a cadeia produtiva. Materiais e equipamentos já vinham pressionados desde a desorganização global provocada pela pandemia, e novos choques internacionais voltaram a afetar preços.

Escala de trabalho também entra no cálculo

A possível redução da escala 6×1 foi outro tema citado pela economista. A mudança, segundo a avaliação apresentada, poderia elevar os custos do setor em torno de 10% e demandar mais contratações para manter o mesmo nível de produção.

O cenário, portanto, combina crescimento, emprego e cautela. Para a construção civil, o desafio de 2026 não é apenas continuar avançando, mas preservar margem e capacidade de investimento em meio a um ambiente financeiro mais restritivo.

Fonte: Construa Negócios