Abimaq descarta retaliação aos Estados Unidos e defende diplomacia para salvar indústria

O aumento das tarifas de importação imposto pelos Estados Unidos gerou forte turbulência, mas a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) decidiu não seguir o caminho do confronto. Em uma postura que diverge de uma possível retaliação, a entidade se posicionou oficialmente contra a aplicação da chamada “Lei da Reciprocidade” contra produtos americanos.

Durante rodadas de negociação com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a liderança do setor de máquinas enfatizou que a manobra tarifária americana tem um caráter majoritariamente político. José Velloso, presidente-executivo da associação, alertou que uma resposta agressiva por parte do Brasil poderia comprometer o diálogo diplomático e causar o fechamento definitivo das mesas de negociação entre as duas nações.

Reforço na competitividade interna

Em vez de devolver o golpe comercial, a estratégia sugerida pelos fabricantes passa pela estruturação de defesas econômicas dentro das fronteiras brasileiras. A premissa é clara: se o mercado externo se fecha e encarece, o governo brasileiro precisa baratear o custo operacional para garantir a sobrevivência e a competitividade do parque industrial.

A primeira grande contraproposta é o aprimoramento do Plano Brasil Soberano. A Abimaq solicita uma revisão nos critérios de elegibilidade para garantir acesso real ao financiamento. Além disso, o pleito inclui a redução significativa das taxas de juros atreladas a esse crédito e a isenção completa do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Diferimento fiscal e novos mercados

O alívio no caixa das empresas do setor de máquinas é considerado essencial neste momento crítico. Por isso, a entidade também propôs a criação de um regime tributário excepcional, focado no diferimento (adiamento) do pagamento de tributos federais, a exemplo do que foi praticado em situações de calamidade pública ou durante a pandemia. A medida abrangeria o recolhimento de impostos pesados, como PIS/Cofins, IRPJ e as contribuições sociais sobre o lucro líquido, dando fôlego imediato para manter a produção e os empregos.

Por fim, o pacote de sobrevivência industrial sugere um esforço governamental concentrado na diversificação de parceiros comerciais. Diante do protecionismo norte-americano, os executivos avaliam que a abertura e a facilitação de exportações para novos países reduzirão a vulnerabilidade histórica da indústria brasileira ao mercado dos EUA.

Fonte: Construa Negócios