O enfrentamento da poluição nos ecossistemas amazônicos acaba de ganhar um aliado de peso vindo do setor de engenharia e materiais. Em Belém (PA), resíduos plásticos que poluíam rios locais estão sendo resgatados e processados para se transformarem em brita ecológica, um agregado reciclado com alto potencial para a construção civil.
A iniciativa inovadora é fruto de uma colaboração entre a startup FlexStone e pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), integrados ao projeto Promares. A solução não apenas limpa os cursos d’água, mas reinsere o material na cadeia produtiva, aplicando o conceito de economia circular de forma prática.
Processamento eficiente e sem desperdício hídrico
O grande diferencial do método desenvolvido está na sua versatilidade. Rodrigo Hühn, CEO da FlexStone, explica que o sistema consegue processar os mais variados tipos de plásticos sem a necessidade de separação por cor ou lavagem prévia, o que significa que o processo não consome água. Atualmente, a operação já consegue transformar cerca de cinco toneladas de lixo plástico mensalmente.
Neyson Mendonça, pesquisador de engenharia sanitária e ambiental da UFPA, ressalta que o projeto vai além da questão ambiental. Ao agregar valor a um material antes descartado, a tecnologia cria novas frentes de trabalho para as cooperativas de catadores locais, fortalecendo a economia regional.
Aplicações urbanas e habitação sustentável
O material reciclado já começou a fazer parte da paisagem urbana de Belém. A brita ecológica foi aplicada na fabricação de lixeiras, bancos e floreiras durante as obras de revitalização de canais da cidade, intervenções que integraram os preparativos para a COP30.
O potencial do agregado, no entanto, vai muito além do mobiliário urbano. No Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, foi erguido um protótipo de residência utilizando tijolos feitos com a nova brita. A construção consumiu o equivalente a 300 mil garrafas PET e demonstrou excelente desempenho em conforto térmico, mantendo o interior da casa mais fresco do que as habitações tradicionais.
Com uma rede de pesquisa que envolve instituições de todo o Brasil e até da Alemanha, a expectativa agora é expandir a produção descentralizada, permitindo que diferentes comunidades amazônicas processem seus resíduos localmente e construam de forma mais sustentável.