Avanço da construção modular impulsiona negócios no setor

O desafio não é novo, mas tem forçado a construção civil brasileira a buscar saídas urgentes: a falta de mão de obra qualificada. Com a escassez crônica de pedreiros e outros profissionais nos canteiros, a resposta do mercado veio através de uma mudança na própria maneira de edificar. A construção industrializada tem assumido o protagonismo, impulsionando um ambiente de negócios que contraria o cenário de juros altos.

O Paradigma Modular Contra a Crise de Empregos

O método de pré-fabricação, seja por meio de steel frame, wood frame ou blocos modulares, não é apenas uma tendência tecnológica. Trata-se de uma estratégia de sobrevivência e otimização para muitas incorporadoras. De acordo com os dados mais recentes da FGV (Fundação Getulio Vargas), a adoção de sistemas construtivos industrializados deu um salto substancial, passando de 26,4% das empresas em 2025 para 33,6% em 2026. Se somarmos os usos parciais, quase metade do setor (48,2%) já flerta com esse modelo.

A grande vantagem dessa frente de negócios reside na sua velocidade e independência de grandes equipes locais, garantindo entregas mais rápidas e margens de erro quase nulas.

A Transformação de uma Gigante

O movimento atingiu em cheio grandes conglomerados. Um dos maiores exemplos é a Eternit, que viu sua matriz de receita se transformar nos últimos anos. Conhecida por suas coberturas tradicionais, a empresa centenária teve que se reinventar, especialmente após as sanções ao uso do amianto no Brasil em 2017 e a necessidade de descolar sua receita do volátil ciclo de juros do país.

O resultado dessa adaptação? A divisão de soluções industrializadas, que representava cerca de 2% do faturamento de materiais no período pré-pandemia, hoje mira a fatia de 17% até o fim deste ano. No segundo trimestre de 2026, esse segmento registrou uma expansão expressiva de 50,3% em relação ao ano passado, movimentando valores na casa dos R$ 70 milhões anualizados.

Modelos de Negócio “Tailor-Made” e Inovações na Logística

Diferente da venda no varejo pulverizado, a construção industrializada demanda soluções tailor-made (sob medida). As fornecedoras entram diretamente na linha de montagem e no projeto estrutural do cliente, permitindo maior margem e fidelidade comercial, já que não se trata de uma mera venda de cimento e tijolos.

Neste contexto de inovações e reinvenções, novos braços comerciais surgem. A Eternit, por exemplo, não parou apenas na mudança do material. A empresa aproveitou o modelo para criar a sua própria transportadora, a EliteMov. Projetada inicialmente para facilitar a distribuição e mitigar a dependência de intermediários, a frente logística rapidamente se transformou em mais uma linha de faturamento.

Vendendo o chamado backhaul (frete de retorno) para outras indústrias no Centro-Oeste, o serviço de transporte interno saltou de R$ 200 mil no segundo trimestre de 2025 para impressionantes R$ 7,4 milhões no mesmo período de 2026, gerando lucros expressivos onde antes só existia custo operacional.

Impactos da Reforma Tributária no Setor

Com as iminentes mudanças do sistema tributário nacional, as perspectivas para a construção modular tornam-se ainda mais favoráveis. Hoje, as contratações pulverizadas de autônomos para fases da obra não geram créditos tributários às construtoras.

Com a nova regulação, a contratação de pacotes completos e industrializados permitirá uma organização financeira superior através do aproveitamento de crédito, o que deve consolidar ainda mais esse nicho de mercado, tornando-o atraente não só por razões logísticas e operacionais, mas também fiscais.

Fonte: Construa Negócios