A montanha-russa econômica de 2026 deixou marcas evidentes nos canteiros de obras pelo Brasil. Segundo dados recém-divulgados pelo IBGE, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) nacional avançou 0,5% no segundo trimestre, a construção civil escorregou e registrou uma retração de 0,4% no mesmo período.
A Força do Semestre
Contudo, se a fotografia recente preocupa, o filme do ano ainda tem final feliz. O recuo trimestral não foi capaz de apagar o excelente desempenho do setor no início de 2026. No balanço acumulado do primeiro semestre, o PIB da construção ainda sustenta um crescimento sólido de 1,1% em comparação ao ano anterior.
Para a economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos, essa freada reflete a perda de dinamismo das pequenas obras e reformas e a piora da expectativa para os juros, afetando o humor dos empresários.
Custo do Crédito em Foco
Desde que a taxa Selic voltou ao patamar de dois dígitos, o custo do crédito se consolidou como um dos maiores entraves do setor. A mudança no cenário macroeconômico, agravada por conflitos internacionais, fez o empresariado recalcular rotas. A inflação da construção atuando acima dos índices de consumo freia a expansão de forma direta, encarecendo materiais básicos e segurando novos lançamentos.
Apesar de o ambiente estar mais adverso e desafiador para os próximos meses de 2026 e o ano de 2027, as perspectivas gerais não são de terra arrasada. A CBIC decidiu manter sua projeção oficial de que o PIB da construção crescerá 1,2% até dezembro, com forte aposta de que o Minha Casa Minha Vida e o alto volume de investimentos consigam segurar o peso dos juros no restante do ano.