Indústria de máquinas agrícolas projeta avanço em 2026

As perspectivas para a indústria brasileira de máquinas agrícolas em 2026 indicam um cenário de crescimento contido, porém consistente. Projeções da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) apontam que o setor deve iniciar o próximo ano com expansão entre 3% e 4%. Já a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estima um avanço de 3,4%, sustentado principalmente pela incorporação de novas tecnologias, ainda que pressionado por juros elevados e incertezas no cenário internacional.

De acordo com a Abimaq, a tendência é de estabilização das vendas em um nível mais moderado, o que reforça a necessidade de planejamento estratégico e da ampliação de soluções financeiras para manter o ritmo de investimentos. Em um ambiente marcado por volatilidade política e desafios comerciais, fatores que reduzem a disposição do produtor em assumir financiamentos tradicionais, o consórcio tem se consolidado como uma alternativa relevante no agronegócio.

A modalidade vem se destacando como uma importante ferramenta de organização financeira para o setor. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o segmento de veículos pesados — que inclui caminhões, tratores e implementos rodoviários e agrícolas — movimentou mais de R$ 46 bilhões em créditos. O volume representa um crescimento de 13% em relação ao mesmo período de 2024, evidenciando o fortalecimento desse modelo de aquisição.

Para 2026, a expectativa é de que o consórcio amplie ainda mais sua participação como solução estratégica para a compra de máquinas agrícolas. O formato se ajusta às particularidades do agronegócio, que opera com ciclos produtivos longos, sazonalidade de receitas e necessidade de previsibilidade no fluxo de caixa.

Além disso, a flexibilidade na utilização do crédito, com valores compatíveis com diferentes perfis de produtores e prazos alinhados ao calendário rural, torna o consórcio cada vez mais competitivo quando comparado às linhas tradicionais de financiamento. Nesse contexto, a modalidade surge como um instrumento capaz de sustentar investimentos, mesmo em um cenário de crescimento moderado e maior cautela econômica.

Fonte: Construa Negócios