O setor mineral brasileiro consolidou um desempenho robusto em 2025, registrando um faturamento total de R$ 298,8 bilhões. O montante representa uma expansão de 10,3% na comparação com o ano anterior, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
A geografia da produção nacional segue polarizada. Minas Gerais manteve a liderança do ranking, arrecadando R$ 119,2 bilhões, o que equivale a um crescimento anual de 10,1%. O Pará ocupa a segunda posição, com R$ 103,1 bilhões e alta de 5,6%. Juntos, os dois estados respondem por praticamente três quartos (75%) de toda a receita da mineração no país. Outros estados produtores, como Bahia, Goiás, São Paulo e Mato Grosso, não atingem, individualmente, 5% de participação.
Ouro e cobre em ascensão
A pauta de produtos foi liderada novamente pelo minério de ferro, que movimentou R$ 157,2 bilhões e respondeu por 52,6% da arrecadação total, apesar de ter sofrido uma retração de 2,2% no faturamento em relação a 2024.
A compensação veio do desempenho extraordinário de outros metais. O ouro assumiu a vice-liderança em relevância, gerando R$ 39,3 bilhões, um salto de 64,8%. O cobre também apresentou forte valorização, com alta de 50,1% e arrecadação de R$ 30,4 bilhões.
Peso na Balança Comercial
A mineração foi decisiva para o comércio exterior brasileiro. O setor acumulou um saldo positivo de US$ 37,61 bilhões em 2025, valor 7,6% superior ao do ano prévio. Esse superávit mineral equivale a 55% de todo o saldo da balança comercial do Brasil, que foi de US$ 68,29 bilhões.
As exportações somaram US$ 46,12 bilhões (+6,2%), com um volume embarcado de 430,67 milhões de toneladas (+7,1%). A China absorveu a maior parte desse volume, sendo o destino de 69,2% das vendas externas.
Nas importações, o país gastou US$ 8,51 bilhões (+0,1%), embora o volume comprado tenha caído 1,3%, para 40,8 milhões de toneladas. Os principais fornecedores foram Estados Unidos (21,2%), Rússia (16,5%), Canadá (13,1%) e Austrália (12,1%).
Recorde em tributos e royalties
O aquecimento da atividade elevou a arrecadação de impostos e encargos do setor para R$ 103,1 bilhões, uma alta de 10,3%. Deste total, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) — conhecida como o royalty da mineração — rendeu R$ 7,9 bilhões (+6,2%) aos cofres públicos.
Minas Gerais foi o maior beneficiário da Cfem, recolhendo R$ 3,5 bilhões (45% do total nacional), seguido pelo Pará, com cerca de R$ 3 bilhões (39%). Entre os municípios, as maiores receitas ficaram com as cidades paraenses de Canaã dos Carajás, Parauapebas e Marabá. Em Minas Gerais, os destaques foram Conceição do Mato Dentro (R$ 424,9 milhões) e Congonhas (R$ 344,6 milhões), as únicas do estado no “top 5” nacional.
Ao todo, 2.760 municípios brasileiros receberam recursos da Cfem em 2025. Minas Gerais concentra o maior número de cidades aptas a receber a compensação, com 528 municípios na lista. O minério de ferro continua sendo a base dessa arrecadação (69,1%), seguido por cobre (7,8%) e ouro (7,5%).