Cresce uso de FIDCs pela indústria para financiar clientes com juros menores e benefícios tributários

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão ganhando força como alternativa de financiamento mais eficiente e menos onerosa para empresas industriais. De acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), compilados pela Vertrau, foram criados 1.185 novos FIDCs nos últimos 12 meses, com destaque para os fundos lastreados em recebíveis industriais, que cresceram 80%, movimentando R$ 37 bilhões.

Esse crescimento expressivo é impulsionado por três pilares, segundo Dionathan Henchel, sócio-fundador da Vertrau:

  1. A modernização do arcabouço regulatório, que trouxe mais segurança jurídica;

  2. O boca a boca entre empresas, que aumentou a popularidade do instrumento;

  3. Avanços tecnológicos, como uso de criptografia e assinaturas digitais, que elevaram a confiabilidade das transações.

Como funciona o FIDC na indústria

Diferente da simples antecipação de recebíveis, o FIDC permite à empresa criar uma estrutura própria de crédito, baseada em notas fiscais ou recebíveis de cartão de crédito. A indústria, ao vender para o varejo, por exemplo, pode utilizar os recebíveis do varejista como meio de pagamento, o que reduz a dependência de linhas de crédito tradicionais e seus juros elevados.

“É um modelo que permite oferecer crédito a juros menores e ainda manter o cliente dentro do ecossistema da empresa”, explica Henchel.

Vantagens tributárias e operacionais

Segundo Giovanni Sgobbi, especialista no setor, o FIDC não configura empréstimo — é considerado investimento com compra de título com deságio, isento de IOF. Além disso, o Imposto de Renda (IR) só é aplicado no momento do resgate, permitindo o reinvestimento do caixa do imposto diferido, o que resulta em maior retorno para o investidor.

Custos e requisitos

Empresas com faturamento acima de R$ 100 milhões são as mais indicadas para operar via FIDC, considerando os custos envolvidos:

  • Taxas de gestão e administração: entre 1,5% e 2% ao ano;

  • Comissão de estruturação: de 3% a 5% do valor captado;

  • Despesas de governança (auditoria, consultoria etc.): relativamente baixas.

Apesar de apresentar custos maiores que estruturas menores como as SCDs, o FIDC compensa pela economia tributária e pelo ganho de eficiência no capital de giro.

Mercado promissor, mas ainda pulverizado

Para João Baptista Peixoto Neto, CEO da Ouro Preto Investimentos, o uso de FIDCs tende a se popularizar rapidamente. “Qualquer grande empresa que financia clientes vai querer estruturar um FIDC. Ele traz segurança ao fornecedor, melhora o giro e ainda gera lucro na operação financeira”, afirma.

Contudo, o investidor deve estar atento aos riscos: é essencial conhecer a natureza da carteira do FIDC, como financiamento de veículos ou crédito a PMEs, e os riscos econômicos associados ao segmento.

O cenário atual, segundo Henchel, é de maturação do modelo, com espaço para melhorias tecnológicas e simplificação dos processos, que ainda envolvem múltiplos players como gestores, administradores e consultorias de crédito.

Com segurança regulatória e ganhos tributários relevantes, os FIDCs se consolidam como uma ferramenta estratégica para financiar vendas, ampliar capital de giro e fidelizar clientes, transformando a relação entre indústria, fornecedores e consumidores.

Fonte: Construa Negócios