Desde janeiro de 2025, o Brasil passou a adotar o sistema de meta contínua de inflação, com centro fixado em 3% ao ano e faixa de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A mudança trouxe novos parâmetros para a política monetária e aumentou a vigilância sobre os índices inflacionários. Se a inflação extrapolar a banda por seis meses consecutivos, o Banco Central (BC) deve enviar uma carta pública ao Ministério da Fazenda explicando o descumprimento da meta.
Foi o que ocorreu no início deste ano, quando o presidente do BC, Gabriel Galípolo, encaminhou explicações ao ministro Fernando Haddad sobre o estouro da meta de 2024. Entre os motivos citados estavam o aquecimento da economia, valorização do dólar e eventos climáticos extremos.
Por que a inflação preocupa?
Quando a inflação sobe, o poder de compra das famílias diminui, principalmente para quem tem renda mais baixa. O impacto é direto nos preços de alimentos, serviços e outros bens de consumo.
O BC atua ajustando a taxa básica de juros (Selic) para conter a inflação. Como seus efeitos demoram de 6 a 18 meses para refletir na economia, as decisões do BC são baseadas em projeções futuras — atualmente mirando meados de 2026.
Projeções econômicas do mercado
De acordo com o último relatório do Banco Central, o mercado manteve ou ajustou levemente algumas estimativas:
PIB (Produto Interno Bruto)
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2025: projeção de crescimento subiu de 2,21% para 2,23%
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2026: previsão recuou de 1,87% para 1,86%
O PIB mede a soma de todos os bens e serviços produzidos e reflete a evolução da economia do país.
Taxa Selic (juros básicos)
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2025: mantida em 15% ao ano
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2026: mantida em 12,5% ao ano
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2027: projeção mantida em 10,5% ao ano
Câmbio
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Final de 2025: estimado em R$ 5,70 por dólar
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Final de 2026: caiu de R$ 5,79 para R$ 5,75
Outros indicadores econômicos
Balança comercial
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2025: superávit estimado em US$ 73 bilhões
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2026: projeção revisada para US$ 77,97 bilhões
Investimento estrangeiro direto
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2025 e 2026: mantido em US$ 70 bilhões por ano
Expectativa para o segundo semestre
Com Selic alta e inflação pressionada, o cenário econômico para o segundo semestre de 2025 deve ser de crescimento moderado, com atenção redobrada à política monetária e seus impactos no consumo e no crédito. O modelo de meta contínua exigirá mais transparência e previsibilidade por parte do Banco Central — fatores que também influenciam confiança de investidores e decisões de empresas.