A indústria brasileira segue enfrentando um cenário desafiador em 2025. De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento industrial caiu 1,2% entre abril e maio, marcando o terceiro mês consecutivo de retração. No acumulado trimestral até maio, a queda foi de 1% em relação ao trimestre encerrado em fevereiro.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, os números refletem a perda de força da atividade industrial. “A demanda por produtos industriais vem diminuindo, o que impacta diretamente a receita das empresas. O ano de 2025 ainda será positivo, mas o ritmo será inferior ao de 2024”, avalia.
Emprego industrial segue em leve recuperação
Apesar da queda no faturamento, o emprego no setor apresentou leve alta de 0,1% em maio, após registrar a primeira retração em 18 meses no mês anterior. No comparativo trimestral, o mercado de trabalho industrial acumulou crescimento de 0,4%, indicando resiliência diante da desaceleração nas vendas.
Empresários destacam entraves à competitividade
Em outra frente, uma pesquisa inédita da CNI mostra que 45% dos industriais apontam a bitributação e a complexidade do sistema tributário como os principais obstáculos à inserção internacional das empresas brasileiras. Em seguida, os maiores desafios elencados foram:
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Custo Brasil: 35%
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Falta de mão de obra qualificada: 31%
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Burocracia e ambiente regulatório: 25%
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Insegurança jurídica: 22%
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Tecnologia e inovação insuficientes: 14%
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Imagem internacional do Brasil: 13%
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Altos custos de energia: 13%
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Exigências ambientais internacionais: 11%
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Falta de crédito à exportação: 10%
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Requisitos ambientais de clientes externos: 8%
Custo Brasil representa 20% do PIB
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que todos os fatores apontados na pesquisa estão diretamente ligados ao Custo Brasil, estimado em R$ 1,7 trilhão ao ano — o equivalente a 20% do PIB nacional.
“O Custo Brasil é um conjunto de entraves estruturais, burocráticos e econômicos que dificultam o ambiente de negócios, encarecem a produção, reduzem investimentos e minam a competitividade”, afirmou Alban.
O recuo do faturamento industrial e os entraves estruturais apontados por empresários acendem um sinal de alerta sobre a capacidade do setor de manter crescimento sustentável em 2025. Mesmo com avanços pontuais no emprego, a falta de reformas estruturais, como a simplificação tributária e a redução do Custo Brasil, seguem como urgências para destravar o potencial competitivo da indústria nacional.