Setor de máquinas critica tarifa dos EUA e vê espaço para negociação

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) expressou forte preocupação com a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente Donald Trump. Para o presidente executivo da entidade, José Velloso, a medida seria “equivalente a decretar o fim do comércio entre os dois países” e não faz sentido estratégico, especialmente em meio à disputa comercial entre os EUA e a China.

Riscos para a relação bilateral

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, com US$ 3,5 bilhões embarcados em 2024, enquanto o Brasil importou US$ 4,7 bilhões em produtos americanos no mesmo período. A Abimaq lembra ainda que o Brasil acumula um déficit comercial superior a US$ 88 bilhões com os EUA nos últimos 16 anos, o que, segundo a entidade, torna injustificável a imposição da nova tarifa.

Retaliação e distorção de mercado

Velloso alertou que, caso a tarifa seja mantida, o Brasil terá de adotar medidas de reciprocidade, aumentando a tensão comercial entre os países. Além disso, ele destaca que a medida pode beneficiar indiretamente a China, uma vez que produtos chineses poderiam ganhar espaço no mercado americano justamente em um momento em que os EUA buscam reduzir a dependência de importações da China.

Confiança em acordo

Apesar da gravidade do anúncio, a Abimaq manifesta otimismo quanto à possibilidade de negociação. “A tendência é buscar um entendimento que evite a aplicação da tarifa”, disse Velloso, apostando no bom senso das partes envolvidas. A entidade acredita que o diálogo e a diplomacia comercial podem prevalecer, garantindo a manutenção de uma parceria estratégica e mutuamente benéfica entre Brasil e Estados Unidos.

A indústria brasileira observa com atenção os próximos passos do governo federal e espera que o impasse seja resolvido rapidamente para evitar prejuízos a um setor que depende fortemente das exportações para o mercado norte-americano.

Fonte: Construa Negócios