O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) voltou a cair em julho e atingiu 47,3 pontos, marcando o sétimo mês consecutivo abaixo da linha de confiança, informou nesta sexta-feira (11) a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A queda de 1,3 ponto em relação a junho revela um aprofundamento do pessimismo entre os industriais, atingindo a segunda pior sequência negativa da série histórica, atrás apenas da crise de 2015 e 2016.
Expectativas negativas pela 1ª vez desde 2023
O que mais chamou a atenção foi a virada no Índice de Expectativas, que caiu 1,2 ponto e atingiu 49,7 pontos, ficando abaixo dos 50 pontos pela primeira vez desde janeiro de 2023. Com isso, as expectativas para os próximos seis meses se tornaram negativas, o que representa uma mudança no sentimento da indústria após 30 meses de otimismo moderado.
Juros altos agravam desânimo no setor
A alta da taxa Selic, que foi elevada para 15% na última reunião do Copom, é apontada como um dos principais fatores para a deterioração do humor dos empresários. Segundo Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, os juros elevados:
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Encarecem o crédito;
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Enfraquecem a atividade econômica;
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E agravam a percepção negativa sobre o futuro.
“O fato de os juros terem subido ainda mais contribuiu para intensificar essa piora das expectativas e da confiança dos industriais”, afirma.
Condições atuais também pioram
O Índice de Condições Atuais, outro componente do ICEI, caiu 1,7 ponto e chegou a 42,4 pontos, o que indica que os empresários avaliam o presente como pior do que há seis meses, tanto em relação à economia quanto aos próprios negócios. Esse cenário de insatisfação se acentuou em julho, ampliando a percepção de deterioração nas condições atuais.
Sinais de alerta para a economia
A queda simultânea na confiança e nas expectativas sugere que o setor produtivo está revendo seus planos de investimento e contratação, o que pode repercutir negativamente no desempenho da economia nos próximos trimestres.
Diante da persistência do pessimismo, a CNI reforça a necessidade de medidas que estimulem o crédito, destravem investimentos e promovam estabilidade para reverter o cenário de desconfiança e reaquecer a atividade industrial.