Apesar do cenário favorável nos lançamentos e nas vendas de imóveis, principalmente graças ao programa Minha Casa, Minha Vida, o setor da construção civil já acende o alerta para uma possível crise de crédito em 2025. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os financiamentos destinados à produção imobiliária registraram uma queda expressiva de 49% entre janeiro e abril deste ano.
Caso essa tendência se mantenha ao longo do ano, estima-se que os bancos destinem apenas R$ 20 bilhões ao setor em 2025, o que representa uma redução de 60% em relação aos R$ 50 bilhões aplicados em 2024. O principal fator por trás desse recuo é a forte saída de recursos da caderneta de poupança, que acumula uma perda superior a R$ 200 bilhões desde 2021, segundo dados do Banco Central.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) alerta que os saques da poupança devem continuar nos próximos meses, impulsionados pela migração dos investidores para aplicações com maior rentabilidade. Essa evasão de recursos compromete diretamente a capacidade dos bancos de financiar novos empreendimentos, agravando o descompasso entre captação e demanda habitacional.
O impacto é ainda mais severo para a classe média, que depende majoritariamente de financiamentos baseados em recursos da poupança para adquirir imóveis. Diante desse cenário, representantes do setor imobiliário reforçam a necessidade de medidas estruturais para garantir o fluxo de crédito e evitar o enfraquecimento da atividade no próximo ano.