A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa inédita que destaca os principais entraves enfrentados pelas empresas brasileiras na disputa por espaço no mercado global. De acordo com o levantamento, a carga tributária elevada e sua complexidade foram apontadas como o maior obstáculo por 45% dos empresários entrevistados.
Na sequência, os maiores desafios citados foram: o Custo Brasil (35%), a escassez de mão de obra qualificada (31%), a burocracia excessiva e um ambiente regulatório desfavorável (25%) e a insegurança jurídica (22%).
O chamado Custo Brasil representa um conjunto de ineficiências estruturais e institucionais que encarecem os processos produtivos no país. Ele envolve problemas logísticos, excesso de burocracia, tributação ineficaz, baixa qualificação educacional e insegurança jurídica. Estima-se que esse custo represente um impacto de até R$ 1,7 trilhão por ano, o que equivale a cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Segundo Leo de Castro, vice-presidente da CNI, esse conjunto de ineficiências coloca a produção nacional em desvantagem frente aos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), considerados referências em competitividade. “É um prejuízo que encarece nossos produtos tanto para exportação quanto para o consumo interno. Combatê-lo significa cortar desperdícios e tornar o país mais eficiente”, afirmou.
Para o tributarista Gustavo Conde, a atual estrutura tributária é um dos maiores gargalos. “A legislação é extensa e confusa. Temos tributos em cascata, e isso acaba penalizando o consumidor, especialmente os mais pobres, já que o sistema é fortemente baseado no consumo”, analisa.
De acordo com a CNI, os principais componentes do Custo Brasil incluem:
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A complexidade para calcular e pagar impostos;
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A baixa qualificação do capital humano;
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A precariedade da infraestrutura e da logística;
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O alto custo do crédito e a dificuldade de financiamento.
Apesar do cenário desafiador, há avanços. O Congresso criou a Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, enquanto o Executivo coordena o Grupo de Trabalho do Custo Brasil, responsável por monitorar 42 projetos com potencial de reduzir até R$ 500 bilhões em custos estruturais.
A reforma tributária, os investimentos em infraestrutura e digitalização, além da modernização na relação entre governo e empresas, são apontados como caminhos viáveis para melhorar o ambiente de negócios no país.
“Essa é uma pauta que ainda enfrenta resistência e pouca visibilidade, mas é urgente para garantir um Brasil mais competitivo, produtivo e com mais oportunidades de crescimento”, conclui Leo de Castro.