A indústria brasileira de máquinas agrícolas vive dias de apreensão diante da iminente aplicação de uma tarifa de 50% sobre as exportações do setor para os Estados Unidos, prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto. O anúncio do governo norte-americano acendeu o alerta em fabricantes de tratores, colheitadeiras e pulverizadores, especialmente empresas que mantêm operações tanto no Brasil quanto nos EUA ou têm o país como destino estratégico de vendas.
Mesmo a poucos dias da entrada em vigor da medida, os canais diplomáticos entre os dois países continuam sem avanços. A situação preocupa representantes do setor e executivos de grandes fabricantes, que temem um possível efeito dominó, incluindo retaliações do Brasil, o que afetaria ainda mais as trocas comerciais bilaterais.
O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que empresas brasileiras podem escapar da tarifa se optarem por fabricar seus produtos em território americano. No entanto, ainda há dúvidas sobre como isso se aplicaria às companhias que já possuem presença industrial nos dois países.
O momento é particularmente delicado porque o setor vinha mostrando sinais de recuperação. Segundo a Abimaq, em maio, o faturamento da indústria de máquinas agrícolas cresceu mais de 30% em relação ao mesmo mês de 2024. A Agrishow, em Ribeirão Preto, movimentou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios, reforçando as projeções otimistas. Entre janeiro e maio, as vendas somaram R$ 26,9 bilhões, alta de 22,8% frente ao ano anterior.
Apesar dos bons resultados do primeiro semestre, a Abimaq já previa desafios no segundo, com o aumento de importações e a queda nas exportações. A tarifação americana agravaria esse cenário. Fabricantes como Caterpillar, New Holland e CNH dizem acompanhar a situação com cautela, enquanto mantêm a produção em ritmo normal.
Os Estados Unidos lideram como destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, com US$ 3,54 bilhões em 2024. A Abimaq argumenta que o comércio é mais favorável aos americanos e que não há desequilíbrio que justifique a medida tarifária. O setor espera, ao menos, uma prorrogação da vigência da tarifa para ganhar tempo e buscar uma solução negociada.