O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apresentou em julho sua maior retração de 2025, ao cair 2 pontos e atingir 94,8, conforme dados divulgados nesta terça-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Na média móvel trimestral, o índice também mostrou recuo, com queda de 1,1 ponto, chegando a 96,8.
De acordo com Stéfano Pacini, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), o resultado evidencia uma disseminação da preocupação entre os diferentes segmentos industriais e reforça os sinais de um ambiente macroeconômico mais complexo. “A piora é generalizada entre os setores, refletindo a expectativa de desaceleração da economia no segundo semestre”, afirmou.
Entre os fatores que contribuem para esse cenário, Pacini destaca a combinação entre uma política monetária ainda contracionista e o aumento da incerteza, intensificada por novas tarifas aplicadas a produtos brasileiros no exterior.
O recuo da confiança foi puxado principalmente pela piora nas expectativas. O Índice de Expectativas (IE) caiu 4 pontos em julho, atingindo 92,5. Já o Índice de Situação Atual (ISA) teve leve alta de 0,3 ponto, alcançando 97,3 pontos, o que demonstra uma visão um pouco mais positiva sobre o presente do que em relação ao futuro.
Outro indicador que reforça a leitura de desaquecimento é o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que caiu 1,4 ponto percentual, chegando a 82,5%. Esse é o menor patamar desde março deste ano, quando o nível registrado foi de 81,5%.
O cenário reforça os desafios enfrentados pela indústria brasileira, diante de um contexto interno e externo mais incerto, com menor apetite por investimentos e aumento da cautela por parte dos empresários.