Os números recentes da indústria de transformação trazem um misto de alívio e cautela. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que as vendas do setor avançaram 3,8% em março frente a fevereiro, consolidando também uma alta de quase 10% quando comparado ao fechamento do ano anterior. Contudo, essa reação não foi suficiente para apagar as perdas acumuladas: no saldo do primeiro trimestre, o faturamento recuou 4,8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
Os entraves do crédito e a ociosidade nas fábricas
O principal vilão dessa desaceleração mais ampla continua sendo a taxa básica de juros. Conforme pontuou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o custo elevado dos empréstimos desestimula tanto o consumo das famílias quanto os aportes em novos equipamentos, encolhendo o volume de pedidos que chegam aos galpões industriais.
Isso reflete diretamente no ritmo das máquinas. Apesar da capacidade instalada ter registrado um discreto aumento para 77,8% em março, o parque fabril brasileiro ainda opera com bastante folga. O cenário aponta que as indústrias estão equipadas e com pessoal preparado, mas seguram a produção devido ao baixo dinamismo do mercado consumidor.
Ainda assim, o período exigiu mais esforço de quem estava na linha de frente: as horas trabalhadas engataram a terceira alta consecutiva, subindo 1,4% no mês, um indício de que a atividade pontual nas esteiras ganhou alguma tração para atender à demanda imediata.
Emprego industrial em compasso de espera
Na contramão da melhora no faturamento, o cenário trabalhista nas fábricas segue fragilizado. As contratações tiveram baixa de 0,3% em março, marcando o quinto resultado negativo nos últimos sete meses. Esse desaquecimento no emprego corrobora a percepção de que os empresários não vislumbram uma expansão sólida no curto prazo que justifique inflar o quadro de funcionários.
Na folha de pagamento mensal, os rendimentos também sofreram um baque, com a massa salarial geral despencando 2,4%. Porém, olhando pelo retrovisor do trimestre completo, o balanço da renda ainda se sustenta levemente no azul, o que ajuda a amparar minimamente o consumo dos trabalhadores que permanecem empregados.