Setor cimenteiro avança em abril impulsionado pelo mercado imobiliário e emprego aquecido

O mercado de cimento no Brasil registrou um volume de vendas de 5,4 milhões de toneladas no mês de abril de 2026. Esse montante representa uma elevação de 2,2% em comparação ao mesmo período de 2025, conforme dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Analisando a média diária, a comercialização ficou em 243,4 mil toneladas.

Impulso do emprego e do setor habitacional

Um dos grandes motores para o escoamento do material tem sido a resiliência do mercado de trabalho. Com a desocupação atingindo 6,1% no primeiro trimestre, o menor índice para a época em mais de dez anos, a massa salarial fortaleceu a confiança dos consumidores e estimulou a economia real.

No segmento de imóveis, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) consolidou-se como o principal pilar, sendo responsável por mais da metade dos novos lançamentos. As recentes alterações no programa, que elevaram o limite de renda e o valor teto das propriedades, aliados a um novo financiamento oriundo do Pré-sal, têm viabilizado um salto significativo no número de unidades habitacionais contratadas.

Desafios macroeconômicos e custos de produção

A despeito dos bons indicadores de vendas, líderes da indústria mantêm o sinal de alerta aceso. A instabilidade gerada por conflitos internacionais, notadamente no Oriente Médio, encareceu substancialmente insumos importados fundamentais para a fabricação, como o coque de petróleo, além de elevar as tarifas de frete marítimo. No âmbito interno, os custos com logística rodoviária e óleo diesel continuam pressionando as margens do setor.

O cenário financeiro das famílias brasileiras também traz preocupações. O nível de endividamento da população segue elevado e há um novo fator desviando a renda que poderia ser destinada à construção e reformas: o crescimento vertiginoso das plataformas de apostas virtuais, que já retiraram bilhões do comércio nos últimos dois anos.

Por fim, as mudanças nas regras do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que autorizam o uso de seus recursos para quitar dívidas gerais através do programa Novo Desenrola, geram apreensão. A medida é vista como um risco à sustentabilidade do principal fundo de financiamento habitacional do país, podendo limitar o acesso ao crédito para futuras construções.

Fonte: Construa Negócios