Setor industrial registra melhora na confiança em maio, mas tensões externas limitam avanço

A indústria brasileira deu sinais de recuperação no mês de maio, conforme apontam os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 1,1 ponto no comparativo mensal, alcançando 97,1 pontos. Na média móvel trimestral, a elevação foi mais discreta — de 0,1 ponto —, levando o indicador a 96,6 pontos.

Demanda e estoques sinalizam normalização

Entre os componentes que compõem o índice, o destaque ficou por conta do Índice de Situação Atual (ISA), que registrou alta de 2,2 pontos e atingiu 98,7 pontos. Esse desempenho reflete uma percepção mais positiva dos empresários sobre o nível corrente da demanda, além de uma acomodação nos volumes de estoque após o período de turbulência provocado pelos conflitos no Oriente Médio.

Já o Índice de Expectativas (IE) apresentou variação marginal, com acréscimo de apenas 0,1 ponto, chegando a 95,6 pontos. A diferença entre os dois componentes sugere que, embora o presente apresente melhora, o horizonte de planejamento das empresas permanece cauteloso.

Petróleo e juros seguem como entraves

Na avaliação de Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre, a conjuntura internacional continua sendo o principal fator de incerteza para a indústria nacional. “Enquanto persistirem as tensões no Oriente Médio, o setor industrial brasileiro seguirá vulnerável às oscilações do petróleo. Esse cenário dificulta a flexibilização da política monetária, que é essencial para estimular a atividade produtiva”, explica.

A observação é particularmente relevante para segmentos como a construção civil e a cadeia de infraestrutura, onde o custo do capital impacta diretamente a viabilidade de novos projetos e o ritmo de contratações.

Capacidade instalada recua ligeiramente

Outro dado divulgado na pesquisa foi o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que apresentou retração de 0,4 ponto percentual, recuando para 82,8%. A queda, ainda que modesta, indica que parte do parque industrial opera abaixo de seu potencial, o que pode limitar ganhos de escala e pressionar margens em setores mais competitivos.

A coleta de dados da edição de maio ocorreu entre os dias 1º e 22, e a próxima atualização da Sondagem da Indústria está prevista para 26 de junho de 2026.

Fonte: Construa Negócios