A atividade industrial brasileira tropeçou e encerrou o último mês avaliado de forma bastante negativa. A interrupção no ritmo de produção tem causado forte apreensão entre investidores e lideranças empresariais, acendendo o alerta sobre o fôlego da economia no segundo trimestre.
O levantamento oficial divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) escancarou que o recuo da atividade não foi um evento isolado, mas sim uma tendência que se espalhou por boa parte do país. As métricas indicam que, dos 15 grandes locais monitorados pelo instituto, 9 operaram no vermelho.
Essa paralisação da engrenagem produtiva gerou um impacto imediato nas cadeias de suprimento nacionais, afetando desde a disponibilidade de produtos intermediários até o fornecimento de matérias-primas essenciais para a construção civil, comércio e serviços, que dependem diretamente da saúde das fábricas.
Tragédia climática afunda os números
A raiz mais profunda dessa queda brusca da indústria encontra-se na tragédia que se abateu sobre a região Sul. O estado do Rio Grande do Sul protagonizou o maior recuo do país, apresentando uma queda colossal de 26,2% em sua atividade fabril, tudo por conta das tempestades históricas que devastaram dezenas de municípios e fecharam parques industriais inteiros.
A interrupção logística e o desabastecimento de energia nas cidades gaúchas criaram um efeito dominó que puxou os índices nacionais para baixo. Contudo, o impacto negativo também se espalhou por estados distantes das enchentes.
Estados com forte peso produtivo não conseguiram sustentar suas médias. O Espírito Santo amargou um tropeço de 6,7%, enquanto Santa Catarina recuou 2,8%. A retração continuou com o Ceará perdendo 2,1% e dois motores econômicos cruciais, Paraná e São Paulo, encolhendo suas produções em 1,8% cada.
Oeste e Nordeste mostram resiliência
Se o eixo Sul-Sudeste puxou o freio, outros mercados assumiram o papel de âncoras positivas para impedir um colapso ainda maior do índice geral. Longe da zona de impacto climático, algumas indústrias estaduais mostraram enorme vigor.
Goiás despontou como a grata surpresa do levantamento, cravando uma impressionante alta de 7% no ritmo de suas fábricas, alavancada pela força de suas agroindústrias locais. O estado de Pernambuco não ficou atrás e também comemorou uma evolução de 5,5%.
Outros locais que ajudaram a manter as máquinas funcionando em alta rotação foram o Pará (3%), Bahia (2%), Rio de Janeiro (0,9%) e Mato Grosso, que fechou com leve, porém fundamental, alta de 0,5%, comprovando que a descentralização do parque fabril tem sido essencial para diluir os prejuízos das crises regionais.