Financiamento em dólar impulsiona a renovação de máquinas

O encarecimento constante do crédito rural em moeda nacional e a pressão sobre os custos de produção estão forçando uma revolução na maneira como os agricultores financiam o seu crescimento. Frente às dificuldades de renovar suas frotas pagando altas taxas de juros, uma alternativa financeira tem ganhado fôlego impressionante no agronegócio: a aquisição de maquinário pesado ancorada em linhas de crédito indexadas ao dólar e ao euro.

Essa migração para os contratos em moeda estrangeira não é apenas uma manobra temporária de sobrevivência, mas uma escolha tática calculada por empresários do campo que visam proteger a saúde de seus caixas no longo prazo. Através dos bancos mantidos pelas próprias fabricantes das máquinas de precisão, o recurso chega de forma desburocratizada, com juros substancialmente mais baratos e com prazos alongados que se encaixam de forma perfeita no ciclo das plantações brasileiras.

A magia do hedge natural

A grande dúvida que sempre surge ao atrelar uma dívida milionária ao dólar é o risco cambial. No entanto, para os produtores de commodities que exportam a sua produção, existe um mecanismo que o mercado financeiro batizou de “hedge natural”. Trata-se de um escudo de proteção gerado pelas próprias regras da economia globalizada.

Neste modelo, o produtor que planta soja, milho ou café comercializa as suas sacas tomando como base a cotação da moeda americana no exterior. Portanto, a fonte de receita de sua propriedade já está totalmente atrelada ao comportamento do câmbio global.

Desta forma, se a cotação internacional do dólar explodir e aumentar drasticamente o peso das parcelas do financiamento do seu novo trator, a cotação da sua colheita na hora da venda também subirá proporcionalmente, pagando em reais um valor equivalente ao custo extra. A dívida se eleva, mas a receita acompanha o movimento, reduzindo o temido risco de insolvência que quebrou muitos produtores no passado.

Executivos das principais companhias de crédito das multinacionais de tratores relatam que essa simbiose oferece uma estabilidade enorme para o financiamento privado de colheitadeiras e tecnologias de precisão. O descasamento entre o que se ganha e o que se gasta quase desaparece, viabilizando o investimento contínuo nas frotas.

Garantindo a vanguarda competitiva

Ficar esperando os limitados planos governamentais do plano safra deixou de ser a única via de avanço. Os produtores perceberam que ficar um ou dois anos sem atualizar suas tecnologias pode gerar perdas de eficiência produtiva muito maiores do que o custo de uma taxa de juros parcelada no banco da fábrica.

Com as margens espremidas na lavoura global, a inovação tornou-se um item de primeiríssima necessidade. As novas gerações de equipamentos conectados diminuem vertiginosamente o consumo de diesel, cortam o desperdício de insumos com aplicações em taxa variável e evitam o amassamento da cultura na hora da colheita. Os ganhos gerados pela alta eficiência dessas máquinas muitas vezes pagam as próprias parcelas anuais de aquisição.

A liberação rápida dos fundos internacionais pelas instituições de fomento industrial tem permitido a assinatura rápida dos contratos diretamente dentro da loja concessionária. A burocracia enxuta poupa meses de idas e vindas de certidões, permitindo que a colheitadeira já encoste na lavoura a tempo do início do ciclo, garantindo que nenhum atraso penalize o produtor rural.

Especialistas da área já consideram que o financiamento em moedas fortes passará de opção de nicho para uma ferramenta mandatória entre as maiores propriedades do Brasil nas próximas safras, consolidando de vez a modernização e assegurando que as comodities nacionais continuem sendo as mais competitivas no mercado intercontinental.

Fonte: Construa Negócios