Indústria de máquinas prevê forte queda nas exportações

O acirramento das tensões comerciais gerou um sinal de alerta vermelho no parque industrial nacional. Diante do recente pacote de sobretaxas instituído pelo governo dos Estados Unidos, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) veio a público desenhar um cenário preocupante: a retração mercadológica deve culminar em uma queda de até 11% nas exportações aos EUA no segmento.

Apesar da previsão pessimista, a entidade assumiu uma postura contundente contra a retaliação. Para as lideranças do setor de maquinários, a possível aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica por parte do governo federal brasileiro — devolvendo as taxas de importação na mesma moeda — seria um equívoco diplomático capaz de estancar de vez qualquer diálogo construtivo.

O preço de uma guerra comercial

A avaliação interna da associação é de que o movimento norte-americano carrega um forte viés de pressão política e protecionismo conjuntural. Entrar em uma espiral de vingança tributária, elevando impostos de maneira indiscriminada, prejudicaria mais a própria indústria brasileira, que ainda depende fortemente de componentes e de parcerias estratégicas firmadas com o mercado estadunidense.

Em vez de bater de frente, a recomendação da Abimaq aos gabinetes de Brasília é focar na estabilidade institucional e na diplomacia assertiva para destravar o imbróglio. A entidade defende que a preservação dos canais de negociação é o único escudo eficaz contra as novas tarifas, que ameaçam inflar a tributação total de alguns produtos a proibitivos 37,5%.

Remédios internos para a crise

Se a resposta não deve vir em formato de sanções externas, a Abimaq aponta que a defesa industrial deve acontecer “dentro de casa”. O presidente da associação, José Velloso, entregou ao Ministério do Desenvolvimento (MDIC) um pacote de soluções focadas em aumentar a competitividade no mercado doméstico.

A receita inclui o aprimoramento imediato das linhas de financiamento, como o Plano Brasil Soberano, a desburocratização no acesso ao crédito, e a instituição de regimes emergenciais para o diferimento (adiamento) da cobrança de impostos federais pesados. Para os empresários, fortalecer o caixa e reduzir a asfixia tributária interna é a melhor estratégia de guerrilha para manter a relevância das exportações aos EUA e a saúde financeira das fábricas durante a tormenta geopolítica.

Fonte: Construa Negócios