O alerta que ecoa nos principais polos produtivos do país é unânime: sem uma injeção expressiva de recursos, o Brasil corre o risco de ficar à margem da nova revolução industrial. Lideranças e federações que representam a manufatura nacional têm intensificado o discurso de que o fomento à inovação e tecnologia não pode ser tratado como gasto supérfluo, mas sim como pilar insubstituível para a sobrevivência das empresas em um mercado global predatório.
A pauta ganhou tração à medida que os processos de neoindustrialização se tornaram o foco das políticas econômicas modernas. Para que as fábricas locais consigam competir de igual para igual com gigantes asiáticos e norte-americanos, a simples modernização do maquinário não basta; é preciso criar patentes, desenvolver softwares proprietários e dominar o ciclo de inteligência artificial aplicada à produção.
O abismo dos investimentos em pesquisa
Um dos pontos mais críticos levantados pelos defensores da pauta é a discrepância entre os aportes brasileiros em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e a média das nações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Enquanto os países desenvolvidos destinam parcelas robustas de seus PIBs para laboratórios científicos e fomento à inovação aberta, a indústria nacional ainda luta contra linhas de crédito restritas e uma carga tributária que asfixia a capacidade de investimento a longo prazo.
Representantes do setor argumentam que é fundamental o fortalecimento de instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na facilitação de crédito subsidiado. Projetos que envolvem transição energética, automação inteligente e sustentabilidade industrial necessitam de segurança jurídica e previsibilidade orçamentária para saírem do papel.
O papel da integração com a academia
Para reverter o déficit tecnológico, a indústria defende que o fomento financeiro deve obrigatoriamente estar atrelado a uma aproximação íntima com o ambiente acadêmico. A transformação da pesquisa universitária em produtos viáveis no mercado — o chamado “Vale da Morte” da inovação — precisa ser transposta através de editais conjuntos e parcerias público-privadas.
A mensagem do setor produtivo é clara: apoiar a inovação e tecnologia é o atalho mais seguro para gerar empregos de alta qualificação, alavancar as exportações de produtos de alto valor agregado e, em última instância, blindar a economia brasileira contra as oscilações do mercado internacional de commodities.