As compras no supermercado trouxeram alívio no bolso das famílias durante o mês de julho, mas a manutenção da casa pesou na ponta do lápis. Produtos que frequentemente pressionam o orçamento perderam força, gerando uma deflação considerável na alimentação domiciliar. Ainda assim, fatores ligados à infraestrutura doméstica não permitiram que o termômetro econômico registrasse uma queda geral.
Alívio nos alimentos
Comer em casa se tornou mais barato no período, com a alimentação no domicílio despencando 1,14%. As feiras foram lideradas pela desvalorização significativa do tomate, que ficou 19,95% mais barato, acompanhado da batata-inglesa, que apresentou uma redução de 10,03%, e do pó de café (-3,13%). Como um todo, o grupo de alimentação e bebidas apresentou recuo de 0,66%, contribuindo positivamente para conter as despesas nacionais. O único contraponto do ramo alimentar ocorreu nas refeições fora do domicílio, cujo preço foi reajustado em 0,55%.
Energia e Habitação como vilões
Apesar da ajuda das prateleiras, as faturas mensais puxaram os índices para cima. O agrupamento de despesas ligadas à habitação cresceu 0,97%, coroando-se como a principal força inflacionária da temporada. Os lares lidaram com um aumento de 3,03% nas contas de energia elétrica, seguidos por uma variação de 0,26% na precificação da tarifa de água e esgoto.
Dados consolidados da prévia da inflação
Como resultado do cabo de guerra entre supermercados e tarifas de luz, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — considerado o ensaio e a prévia da inflação oficial do governo — variou singelos 0,06% em julho, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse cenário demonstra um freio no aumento de custos quando comparado ao salto de 0,41% registrado em junho deste ano e os 0,33% anotados no mesmo período do ano anterior. Dessa forma, o balanço acumulado da taxa nos últimos 12 meses pousa na casa dos 4,52%.