A percepção positiva dos empresários tem sustentado os níveis de resiliência na construção civil brasileira. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), o otimismo daqueles que operam no mercado superou entraves antigos, como o encarecimento do crédito e a falta de trabalhadores qualificados, puxando para cima o indicador que mede a estabilidade do segmento.
Falta de qualificação preocupa
Um dos dados mais expressivos revelados pela pesquisa recai sobre os desafios de recursos humanos. Pelo menos 29% das construtoras relataram dificuldades em encontrar profissionais preparados para os canteiros de obras. Somado à taxa de juros elevada — fator que frequentemente afugenta novos financiamentos habitacionais — o cenário força as empresas a apostarem no aumento de produtividade e na eficiência da gestão diária para se manterem lucrativas.
Indicadores em avanço
Mesmo com essas adversidades, a confiança da construção apresentou ganho real em julho. O Índice de Confiança da Construção (ICST) registrou um avanço de 0,8 ponto, atingindo o patamar de 92,5 pontos. Quando analisada a média móvel trimestral, o indicador aponta para estabilidade, mantendo-se na casa dos 92,3 pontos.
O grande propulsor desse movimento foi a forma como o momento atual foi avaliado. O Índice de Situação Atual (ISA-CST) deu um salto expressivo de 2,4 pontos, cravando 91,5. Por outro lado, a cautela em relação aos próximos meses pesou levemente, causando uma retração de 0,6 ponto no Índice de Expectativas (IE-CST), que fechou em 93,7.
Desempenho por subsetores
O ganho de confiança não esteve restrito a uma única área de atuação, atingindo todas as principais engrenagens do setor produtivo. As obras voltadas para melhoria estrutural (Infraestrutura) lideraram o ânimo, com alta de 2,7 pontos. Na sequência, os Serviços Especializados apresentaram crescimento de 0,7 ponto, enquanto as Edificações, essenciais para o mercado residencial, fecharam o mês com um acréscimo de 0,3 ponto.