Máquinas elétricas e autônomas impulsionam exportações chinesas

Carregadeiras que dispensam combustível, escavadeiras controladas por 5G e linhas de montagem supervisionadas por câmeras com inteligência artificial. O pacote tecnológico embarcado nas máquinas de construção chinesas ajuda a explicar por que as exportações do setor saltaram 21,7% no primeiro semestre de 2026, totalizando US$ 34,373 bilhões segundo a Associação Chinesa da Indústria de Máquinas de Construção.

Equipamentos elétricos lideram a transformação

A eletrificação dos canteiros e das minas foi o motor mais visível dessa expansão. No acumulado do semestre, as fabricantes chinesas comercializaram 25.445 carregadeiras elétricas, crescimento de 82,4% sobre o mesmo intervalo de 2025. Para o mercado externo, foram 1.643 unidades — um avanço de 172% nas exportações dessa categoria específica.

A aplicação prática já acontece em larga escala. No Vietnã, uma mina opera com mais de 120 máquinas de construção chinesas elétricas fornecidas pela LiuGong, incluindo escavadeiras, carregadeiras, tratores de esteira e caminhões de mineração. O operador relata que o custo de extração por tonelada caiu pela metade após a troca de equipamentos a diesel por modelos elétricos.

Baterias para condições extremas

Para viabilizar a operação em ambientes de alta temperatura e umidade, a LiuGong desenvolveu sistemas de baterias adaptados às suas escavadeiras e carregadeiras. O tempo de recarga é de aproximadamente 45 minutos, com autonomia entre oito e dez horas — suficiente para cobrir um turno completo de trabalho.

A economia vai além do combustível. Dados apresentados pelo setor indicam que o consumo de energia pode representar de 40% a 50% dos custos operacionais de uma mina, e equipamentos elétricos consomem cerca de um terço da energia gasta por máquinas convencionais. A redução de componentes mecânicos no sistema de transmissão também diminui a necessidade de manutenção periódica.

Microrredes solares abastecem operações remotas

Para minas distantes da rede elétrica convencional, fabricantes chineses passaram a oferecer infraestrutura integrada que combina painéis solares, armazenamento em baterias, estações de recarga e fornecimento móvel de energia. Essas microrredes permitem alimentar frotas inteiras de equipamentos elétricos em locais onde a conexão com a rede de distribuição seria inviável ou cara demais.

Vendas externas crescem em todas as regiões

A demanda veio de mercados diversificados. As exportações para a União Europeia atingiram US$ 3,626 bilhões, alta de 28,9%. Os países da ASEAN absorveram US$ 5,561 bilhões em máquinas de construção chinesas, crescimento de 23,6%. Já os participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota receberam US$ 14,723 bilhões em equipamentos, o que representou 42,83% do total exportado e um acréscimo de 9,13% frente ao ano anterior.

Em volume, as empresas do setor embarcaram 531,5 mil unidades no período, avanço de 25,8%. Entre 2020 e 2025, o valor das exportações quase triplicou, consolidando a China como fornecedora dominante do segmento global de equipamentos pesados.

Fábricas autônomas e operações por 5G

A automação também avança na ponta final da cadeia. A LiuGong planeja colocar carregadeiras autônomas em operação no Reino Unido e na Austrália até o final deste ano, além de caminhões elétricos de mineração capazes de operar sem motorista ao lado de veículos tripulados. A empresa ainda oferece controle remoto via 5G para escavadeiras de até 135 toneladas.

Dentro das fábricas, a digitalização redesenha a produção. Na unidade de escavadeiras da LiuGong, modelos de 13 a 200 toneladas compartilham as mesmas linhas de montagem, e sistemas de visão computacional com IA fiscalizam desvios durante o processo. Em março, a planta produziu mais de 1.500 escavadeiras, alta de 77,5% sobre o mesmo mês de 2025 e recorde mensal da instalação.

Fonte: Construa Negócios