Aporte em P&D e IA eleva receita de fabricantes de bens de capital

O setor de bens de capital e equipamentos de precisão consolida-se como um dos principais motores do avanço tecnológico na indústria brasileira. Dados do ranking Valor Inovação Brasil 2026 destacam empresas que transformaram o aporte contínuo em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no pilar central de expansão de seus negócios.

Foco em P&D e desenvolvimento de soluções customizadas

Na liderança do segmento, a Embraer destina cerca de 5% de seu faturamento anual a projetos de inovação. A estratégia tem se refletido nos resultados financeiros, uma vez que produtos desenvolvidos nos últimos anos respondem por até 50% da receita corrente da companhia no mercado aeronáutico global.

No setor de tecnologia médica, a Siemens Healthineers investiu R$ 15 milhões em P&D no último ano, somando mais de R$ 120 milhões aplicados no país na última década. Entre os destaques estão a tomografia por contagem de fótons e sistemas de operação remota de ressonância magnética, desenvolvidos localmente e exportados para a rede global da marca.

Eficiência energética e transição ecológica

A refrigeração comercial e industrial também passa por transformações motivadas pela sustentabilidade. A Nidec Global Appliance (detentora da marca Embraco) direciona até 4% de sua receita líquida para pesquisa. A empresa desenvolveu compressores de velocidade variável que utilizam fluido natural R290, reduzindo o peso do equipamento pela metade e diminuindo o consumo de matérias-primas e energia.

No segmento de componentes estruturais para transporte pesado e maquinário agrícola, a Tupy faturou R$ 9,7 bilhões e aplicou R$ 46 milhões em novos negócios, incluindo inteligência artificial, motores a biocombustíveis e reciclagem de baterias. Já a Schulz investiu R$ 33,1 milhões em projetos de indústria 4.0 e predição veicular em tempo real para frotas de caminhões.

Parcerias com universidades e ecossistema de startups

Um ponto comum entre as líderes do setor é a integração com centros de excelência acadêmica, como USP, UFSC, UFC e IPT, além do ecossistema de startups. A colaboração estratégica acelera a aplicação de conceitos de inteligência de dados, descarbonização e reutilização de resíduos industriais, garantindo maior competitividade no mercado internacional.

Fonte: Construa Negócios