Após um ano de forte retração, o mercado de máquinas agrícolas mostra sinais concretos de recuperação em 2025, especialmente no segmento de tratores. De janeiro a maio, as vendas de tratores cresceram 22,6% em relação ao mesmo período de 2024, saltando de 12,2 mil para 15,4 mil unidades comercializadas, segundo dados da Fenabrave.
O desempenho positivo contrasta com o segmento de colheitadeiras, que registrou leve queda de 1,2%, com 1.124 unidades vendidas nos cinco primeiros meses deste ano contra 1.110 no mesmo intervalo de 2024. Embora discreto, o recuo representa uma estabilização após oscilações no início do ano.
Tratores até 100 hp impulsionam recuperação
A recuperação das vendas de tratores tem sido impulsionada especialmente pelo segmento de modelos com até 100 hp, que representam 70% do mercado e apresentaram crescimento de 15% no ano, segundo a Fenabrave. Esse avanço é atribuído principalmente ao novo Plano Safra 2025/2026, que trouxe taxas de juros mais acessíveis, entre 3% e 5%, para a agricultura familiar.
“O mercado de tratores caiu muito em 2024 e agora se recupera em 2025”, analisa Arcelio Junior, presidente da Fenabrave. “Já as colheitadeiras começaram o ano em recuperação, impulsionadas por alguns grãos, mas depois o ritmo desacelerou e o acumulado ficou praticamente estável.”
Juros ainda travam grandes produtores
Apesar do incentivo para os pequenos produtores, as taxas de juros ainda elevadas para médios e grandes agricultores têm limitado a retomada do setor como um todo. A agricultura empresarial segue mais cautelosa com investimentos, o que impacta diretamente na venda de máquinas de maior porte, como colheitadeiras e tratores de alta potência.
Expectativas moderadas para o ano
Como as máquinas agrícolas não são emplacadas, os dados da Fenabrave têm uma defasagem de um mês por dependerem de levantamento junto aos fabricantes. Mesmo assim, os indicadores de 2025 mostram uma trajetória de recuperação gradual, com destaque para o retorno da confiança no segmento de tratores, especialmente os voltados à agricultura familiar.
Com incentivos do Plano Safra e retomada da demanda em segmentos estratégicos, o setor projeta um segundo semestre mais aquecido, mas ainda depende de melhoras no crédito rural para os grandes produtores e de condições climáticas favoráveis para manter o ritmo de recuperação.