Indústria brasileira inicia semestre com queda na confiança

A indústria brasileira iniciou o segundo semestre de 2025 enfrentando um cenário de desconfiança generalizada. De acordo com o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) – Resultados Setoriais, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (22), 21 dos 29 setores industriais avaliados apresentaram redução na confiança em julho.

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o pessimismo já vinha se arrastando desde o início do ano e se intensificou no último mês. “A confiança caiu entre empresas de todos os portes – pequenas, médias e grandes – e também em todas as regiões pesquisadas”, destacou.

O executivo atribui parte da retração ao recente aumento da taxa Selic, que influencia diretamente no custo do crédito e nos investimentos. Além disso, Azevedo pontua que os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros ainda não foram totalmente absorvidos pela pesquisa, mas já começam a afetar o humor do setor.

Nordeste lidera resiliência; Norte registra maior queda

Entre as regiões, apenas o Nordeste permanece acima da linha dos 50 pontos, o que ainda indica confiança. Em contrapartida, o Norte teve a maior retração no mês, com o índice caindo de 53 para 50 pontos, atingindo um patamar de neutralidade. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste já operam com falta de confiança, segundo os critérios do ICEI, que vai de 0 a 100 pontos – sendo que valores abaixo de 50 indicam pessimismo.

Setores que perderam e ganharam confiança

Três setores migraram da zona de otimismo para a de pessimismo em julho:

  • Perfumaria, limpeza e higiene pessoal

  • Produtos diversos

  • Produtos de borracha

Por outro lado, apenas o setor de manutenção e reparação apresentou melhora, passando da falta de confiança para o campo positivo.

Confiança cai entre pequenas, médias e grandes indústrias

O declínio de confiança foi percebido de forma transversal entre os diferentes portes de empresa:

  • Pequenas empresas: queda de 0,7 ponto

  • Médias empresas: queda de 1,3 ponto

  • Grandes empresas: queda de 1,1 ponto

A pesquisa ouviu 1.788 empresas industriais, entre os dias 1º e 10 de julho, sendo 724 pequenas, 652 médias e 412 grandes.

O panorama indica que a retomada da confiança dependerá de medidas macroeconômicas mais estáveis e de maior previsibilidade no ambiente de negócios, especialmente diante das incertezas externas e do cenário monetário nacional.

Fonte: Construa Negócios